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Jornal Diário da Manhã , quinta-feira 24 de novembro de 1983


DÓLAR E “OPEN” – raramente a opinião pública se dá conta de que a especulação no chamado “open market”, ou mercado aberto, tem efeitos danosos sobre toda a economia, costumando-se pensar que os lucros fabulosos obtidos em suas operações são “uma sorte” para os aplicadores, e nada mais. Na verdade, a especulação no “open” tem sido responsável, nos últimos anos, por males inimagináveis, que trazem sacrifícios a toda a população. Agora mesmo, mais um dos malefícios do “open” ficou claro, com a minidesvalorização do cruzeiro decretada anteontem pelo governo, apenas dois dias após a desvalorização anterior.

O SOCORRO – há cerca de um mês, o Banco Central leiloou Cr$ 1 trilhão em Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional com correção cambial, isto é, em vez de seus compradores receberem a correção monetária como rendimento, receberão o equivalente à desvalorização do cruzeiro. Esses títulos são imensamente procurados no mercado, porque a correção cambial tem sido muito mais alta que a correção monetária – e porque os especuladores terão lucros ainda maiores, se houver uma maxidesvalorização do cruzeiro. Assim, no leilão, as instituições financeiras se dispuseram a pagar, pelas ORTNs, um preço 15% (o chamado “ágio”) acima de seu valor real. Muitas corretoras e distribuidoras de porte médio compraram os títulos com dinheiro emprestado (captado no próprio “open”). Como, nos últimos dias, as taxas de juros no “open” estavam muito altas, essas instituições passaram a sofrer prejuízos – principalmente porque, com a queda da inflação, a correção cambial também começou a cair. Resultado: grandes bancos começaram a vender (parte das) suas ORTNs cambiais a preços cada vez mais baixos, apenas para “derrubar” esses preços em todo o mercado, ampliando os prejuízos das instituições pequenas. O objetivo da “manobra” era, numa segunda etapa, comprar os títulos, por preços aviltados, das instituições financeiras sufocadas pelos prejuízos. Como houve ameaça de “quebras”, o Banco Central entrou em cena, anunciando nova minidesvalorização do cruzeiro – somente para valorizar as ORTNs, reduzindo o prejuízo das instituições. Quer dizer: na hora dos lucros, eles são das instituições. Na hora dos prejuízos, o País paga – até com mais inflação, que é a conseqüência da queda do cruzeiro.



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