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  Nem emprego, nem crescimento

Jornal Diário Popular , quinta-feira 2 de setembro de 1999


Com multa banda de música, o governo lança o Plano Plurianual, diz que vai criar quase 9 milhões de empregos e que a economia vai crescer 4% no próximo ano. Essas metas são possíveis? Seriam. Se a política econômica sofresse uma grande virada. Mas, como o governo Fernando Henrique não quer mudar, não vai haver emprego nem crescimento. Basta ver as aberrações que ele continua cometendo:

Empregos — Há setores em que estão previstos grandes projetos, com aplicação de bilhões de reais nos próximos anos: petróleo, energia, telecomunicações. Esses projetos poderiam ser verdadeiros "motores" para a economia se fossem feitas gigantescas encomendas para as indústrias nacionais fornecedoras de equipamentos. Elas empregariam milhares de trabalhadores e comprariam aço, plástico, peças, componentes de fabricantes nacionais que também empregariam mais, fariam encomendas a fornecedores e assim por diante. A economia cresceria, o consumo cresceria, o emprego cresceria. Só que nada disso vai acontecer — por culpa do governo Fernando Henrique e sua política, que atende aos interesses dos EUA e outros países ricos, e não do Brasil e seus trabalhadores.

Petróleo — O governo, como esta coluna já analisou, entregou vergonhosamente áreas ricas em petróleo às multinacionais. Em compensação, elas deveriam assumir o compromisso de comprar equipamentos no Brasil, com todos os efeitos vistos acima. Qual foi o "compromisso" aprovado pelo governo brasileiro? As múltis vão comprar apenas 5% a 15% de material nacional. Isto é, vão importar até 95% de tudo, de acordo com o interesse de sua matriz.

Energia e telecomunicações — Os fabricantes de equipamentos, peças e componentes para esses setores foram os líderes na queda da produção industrial em julho último. As telefônicas e as lights estão importando tudo.

Automóveis — Esta é do arco da velha. Houve enorme estardalhaço em torno das vantagens que o governo ofereceu à fábrica da Ford a ser instalada na Bahia. Pois é. No entanto, a medida provisória que o presidente Fernando Henrique enviou ao Congresso vai dar todas as mesmas vantagens, de novo, à Volkswagen, General Motors, Fiat e outras montadoras que operam no País. Que vantagens são essas? Perdão de vários impostos, inclusive para importar máquinas, peças e até carros prontos, para apenas serem montados aqui.

Em resumo: a política do presidente Fernando Henrique Cardoso, de destruição da economia nacional, não muda nunca. Perdoa impostos para importar — impostos que poderiam ajudar a reduzir a dívida do governo e, portanto, os juros —, torra dólares, abre rombos que deixam o País nas mãos dos credores internacionais. Nada muda.



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