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  Diferença chegou a ultrapassar 100%

Jornal Folha de S.Paulo , terça-feira 12 de abril de 1983


Os preços do ouro no mercado interno brasileiro chegaram a representar mais do dobro do seu valor “justo”, isto é, seu valor no mercado internacional, medido pelas cotações em Nova York. Levantamento realizado pela “Folha” mostra que, a partir de outubro, quando as compras da Caixa se intensificaram, as cotações médias semanais foram, em média, 80% mais altas que as cotações médias semanais em Nova York, conforme é visto no gráfico. Isto graças à política de pagar, aos vendedores, um preço resultante da conversão do preço em dólares, tomando-se como base não a cotação oficial do cruzeiro, mas sim a cotação da moeda norte-americana no “mercado negro”.

Houve, porém, diferenças ainda maiores: a partir da segunda semana de janeiro, à medida que os manipuladores “puxavam” as cotações do dólar no mercado negro, automaticamente o preço do ouro vendido à Caixa também subia, com a diferença crescendo para 93,3% na segunda semana de janeiro, e a 106,3% na terceira semana do mês.

Novo “pico” para essa diferença ocorreria às vésperas da maxidesvalorização, com 100,8% de diferença entre o preço “justo” e o preço pago no Brasil. Nessa semana, a onça-troy (31,1 gramas) do metal foi paga a Cr$ 296,6 mil no Brasil, contra o valor de Cr$ 147,6 mil que seria justo, se o preço de Nova York (504 dólares por grama) fosse convertido pela cotação oficial do dólar, de Cr$ 293,00, e não pela cotação do “mercado negro”, de Cr$ 557,00.

No começo de março, já efetuada a “máxi”, o governo alarmou-se com o fato de as cotações do dólar continuarem em alta no “mercado negro”, revelando a existência de manipulação, para “puxar” os preços do ouro. Surgiu a decisão de suspender as compras do metal em lingote, que a Caixa vinha fazendo. A partir daí, caem as cotações do ouro, reduz-se a diferença entre os preços do mercado interno e do mercado de Nova York – e caem também as cotações do dólar no “negro”, evidenciando-se que seu alto nível anterior se devia a “puxadas” para encarecer o ouro comprado pela Caixa.



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