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  Presente de Natal para entender o Brasil

Em 1997, o cidadão brasileiro foi brindado com uma chuva de fatos que desmentiram totalmente as previsões otimistas do governo FHC e de formadores de opinião de sucesso. Assim, à guisa de presentinho de Natal, pode-se oferecer um míni ou microrroteiro que ajude a entender o atual período da história do Brasil e como descobrir a manipulação da verdade, ganhando condições, portanto, de fazer previsões seguras sobre os rumos da economia.

Conselhinho: recomenda-se que, no começo do ano, os interessados anotem as previsões e explicações da equipe FHC e formadores de opinião e as confrontem todos os meses com a realidade. Motivo: eles mudam tanto umas como outras à medida que elas não se confirmam. Lá vai o microrroteiro:

1. Inadimplência - Formadores de opinião chapa-branca negam que ela tenha explodido. De 1996 para 1997, o número de carnês em atraso na Grande São Paulo passou de 2 milhões para 3,15 milhões. O número de consumidores que pagaram dívidas anteriores passou de 1 milhão para 1,6 milhão. Isto é, o acréscimo de carnês em atraso foi de 1 milhão em 1996 e de 1,5 milhão em 1997. Em dois anos, 2,5 milhões de carnês não-pagos.

2. “Torra de dólares” -O ministro Malan e acólitos insistem em dizer que o ’’rombo’’ da balança comercial, pouco abaixo de US$ 10 bilhões, “desmente” (vejam, só...) os “catastrofistas” que previam um “rombo” de US$ 12 bilhões ou US$ 15 bilhões. Insinuam que o “otimismo” do governo estava certo. Ora, o ministro Malan e acólitos previam, ainda em abril, saldo positivo na balança comercial. Cantar um “rombo” de “apenas” US$ 10 bilhões como vitória é no mínimo falta de seriedade.

3. O “pacote” - Diz o noticiário chapa-branca que a retração na economia foi provocada pela alta dos juros, e, portanto, uma “vitória” do pacote que teve mesmo por objetivo reduzir o ritmo da economia – e das importações. Ora, a inadimplência vem estourando há dois anos, junto com o desemprego e conseqüente redução de salários, além do congelamento dos vencimentos dos funcionários públicos. As vendas no comércio vêm caindo desde abril/maio. A prova? As maiores redes de varejo do país tiveram prejuízos nos três primeiros trimestres do ano.

4. Agricultura - Afirma-se que as exportações agrícolas subiram graças à Lei Kandir, que as isentou da cobrança de impostos. Na verdade, o grande “salto” ocorreu com o café, cujos preços no mercado mundial subiram 100%, e com a soja, também beneficiada pela alta dos preços internacionais. Para 1998, a tendência para esses dois produtos – até agora – é de queda. Não serão eles que “salvarão” a balança comercial brasileira.

5. Renda agrícola - Para o próximo ano, fala-se em “salto” de 70% na produção de algodão. É. De 1995 a 1997, a equipe FHC conseguiu destruir essa lavoura, com a área plantada recuando de 2,1 milhões para 700 mil hectares, devido à redução de impostos para importar a fibra. Em 1998, com o “salto” de 70%, serão plantados 1,2 milhão de hectares. Contra 2,1 milhões do passado... O mesmo que aconteceu com o trigo, cuja produção nacional caiu de até 6 milhões de toneladas/ano para 3 milhões de toneladas/ano e, no governo FHC, para menos de 2 milhões de toneladas/ano.

6. Japão, Coréia - As falências de empresas mal começaram no Japão – provocando prejuízos e novas “quebras” de bancos nas próximas semanas. Da mesma forma que, em 1996, a maioria dos “conglomerados” coreanos havia tido prejuízos para, neste ano, arrastarem o sistema financeiro com eles. A crise financeira internacional está longe de ser exorcizada, exatamente como previam os “catastrofistas”, isto é, quem não acha que o governo FHC e a sua falsa modernidade são a nova maravilha do mundo.


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