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  Ainda, as más ‘‘boas notícias’’

Jornal Diário Popular , quinta-feira 29 de junho de 2000


Na aparência, notícias favoráveis, capazes de reforçar o otimismo sobre a evolução da economia brasileira. Na realidade, operações que vão criar novos e graves problemas para o País. Além do caso da Sabesp, analisado ontem nesta coluna, eis mais alguns desses exemplos dos últimos dias, que mostram como o Brasil afunda cada vez mais em um atoleiro, por causa da política lesa-pátria do governo FHC:

Petróleo — O governo anuncia o fechamento de um pacote de empréstimos com bancos japoneses, de nada menos de US$ 3,7 bilhões, a serem liberados ao longo de três anos, para a Petrobras. Uma quantia realmente impressionante, destinada à aceleração dos trabalhos de pesquisa e exploração da estatal, principalmente nos campos fabulosos localizados no litoral sul do País — onde, nunca é demais repetir, já há poços em exploração capazes de produzir 10.000 barris por dia. O que há de errado na novidade? Primeiro: esses empréstimos, na verdade, são uma espécie de ‘‘crediário’’, isto é, a Petrobras não recebe o dinheiro para a compra de equipamentos, sondas, tubulações de quem ela quiser. Isto é, não pode usá-lo para dar preferência a equipamentos brasileiros, criando empregos, renda, impostos aqui dentro. É obrigada a fazer encomendas a empresas japonesas ou de países asiáticos, ligadas aos bancos. Em outras palavras: é um empréstimo que vai aumentar as importações, a torra de dólares.

O Brasil vai aumentar duplamente sua dívida externa: com o empréstimo, que terá de pagar, e com as importações, idem — tudo, aumentando o desemprego aqui dentro.

Segunda aberração: recentemente, o sr. David Zylberzstajn, genro do presidente FHC, realizou leilões para entregar fantásticas áreas petrolíferas às multinacionais. Nesses leilões, as multinacionais se associaram à Petrobras para explorar nada menos do que oito áreas — mas a estatal ficará com apenas 25% da participação e dos lucros. Agora, a Petrobras é que está levantando empréstimos no Exterior para serem usados também por suas ‘‘sócias’’ estrangeiras — isto é, elas não vão nem mesmo trazer capital, de seus países: vão gastar empréstimos que aumentam a dívida externa do Brasil... Viva o governo FHC. Polícia Federal — O governo anuncia também outro empréstimo, este de US$ 400 milhões, concedido por bancos franceses, para o reaparelhamento da Polícia Federal. Dinheiro para a compra de equipamentos de comunicação, rádio, telefonia, viaturas etc. E, outra vez, a mesma história: não é um empréstimo para a Polícia Federal usar livremente, comprando de indústrias brasileiras para criar empregos, consumo, arrecadação aqui dentro. Como no caso da Petrobras, tudo deve ser comprado lá fora, de indústrias francesas. Endividamento duplo para o Brasil. Empregos e crescimento econômico na França. E viva o governo FHC.



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