Jornal Diário Popular , quarta-feira 13 de janeiro de 1999
Procure você mesmo as entrevistas do governador paulista Mário Covas logo após sua primeira eleição e posse, em 1995. Nelas você vai encontrar declarações contra as privatizações, principalmente da Cesp, empresa paulista de energia elétrica, que ele considerava “um negócio grande demais” para ser vendido sem amplo debate. Depois, o governador Mário Covas mudou totalmente, fez um acordo com o governo FHC para renegociação da dívida do Estado e “entregou” estatais para serem privatizadas.
A Cesp e a Eletropaulo, foram “esquartejadas”, divididas em pedaços, para ficarem mais baratas para os “compradores” (como dinheiro do BNDES, isto é, nosso, do governo federal). Agora, neste próximo dia 27, mais um pedaço da Cesp vai a leilão. Isso vai reduzir a dívida do Estado? Você acredita nessa lorota? A venda das estatais paulistas está sendo feita sempre a preço de banana: o pedaço da Cesp vai ser leiloado pela ninharia de 750 milhões de reais. Você sabe o que isso representa? Metade de um mês de arrecadação do ICMS do governo paulista.
Veja bem: metade da arrecadação de um mês, em troca de um patrimônio que custou bilhões de reais aos trabalhadores, à classe média, aos empresários e agricultores paulistas. Um patrimônio representado por usinas que funcionam, geram energia, dão lucro ao governo paulista. Como explicar essa insensatez? É mais um capítulo dessa tragédia vergonhosa chamada de “privatização”, à qual o governador Mário Covas aderiu. E aderiu ao ponto de lamentar o “atraso” na privatização do Banespa, um dos maiores bancos do Brasil, que vai ser leiloado, segundo estimativas, também a preço de banana, ou 1,5 bilhão de reais – o mesmo que um mês de arrecadação do ICMS paulista. Responda você mesmo: existe alguma lógica em vender um banco como o Banespa por um mês de arrecadação? E ainda por cima com balanços, prejuízos, baixos lucros falsificados (como será explicado nesta coluna amanhã)?
Compare agora as atitudes de Covas e do governador Itamar Franco, que conseguiu instalar uma CPI, na Assembléia Legislativa mineira, para apurar possíveis irregularidades na venda de estatais pelo seu antecessor. No caso da Cemig, a “Cesp mineira”, foram comprovadas várias aberrações. Entre elas: o grupo norte americano que “venceu” o leilão (totalmente com dinheiro emprestado pelo BNDES) passou a dirigir, mandar na Cemig, apesar de ter “comprado” somente um terço do capital da empresa. O que o governador Itamar fez? Entrou na justiça para anular esse “acordo”. Há poucos dias, a Justiça lhe deu razão. Claro que tudo isso tem sido escondido ou noticiado sem destaque pela grande imprensa. Empenhada, o tempo todo, em ridicularizar o governador Itamar Franco, apresentado como um “maluco” à opinião pública. Pare pra pensar: quem é coerente com seu passado de homem público empenhado e defender os interesses da população e do país? Covas ou Itamar?