Jornal Diário Popular , dezembro de 1999
Nos últimos anos, a indústria brasileira fechou 2,1 milhões de vagas, com o total de trabalhadores caindo de 6,6 para 4,5 milhões. Somente no ano passado, a agricultura brasileira fechou mais de 400 mil postos de trabalho – e o desastre continuou este ano, com as crises nos laranjais e na produção de açúcar. Para justificar o desemprego galopante no País, o governo e seus adeptos sempre jogam a culpa na tal “globalização”. É verdade ou mentira? É mentira – e o governo brasileiro sabe muito bem disso. Veja, por exemplo, os próprios exemplos do suco de laranja e do açúcar. Os produtores norte-americanos de laranja fornecem a fruta a um preço muito mais alto que o preço cobrado pelo agricultor brasileiro. Isto é, o Brasil poderia exportar suco de laranja a larga para os próprios EUA, e ainda conquistar outros mercados em todo o mundo – mas o governo dos EUA não deixa. Como? Cobra impostos altíssimos sobre o suco brasileiro, tornando-o tão caro que não consegue concorrer lá fora.
No caso do açúcar, a mesma coisa: os governos dos países da Europa chegam a “comprar” a produção de seus agricultores, pagando pelo açúcar produzido lá (de beterraba) até dez vezes mais do que o preço internacional do produto. O açúcar e o suco de laranja foram citados aqui apenas como exemplos. Mas, na verdade, todos os produtos agrícolas, da carne ao queijo, da soja ao trigo, são altamente protegidos pelo governo dos EUA e da Europa: eles têm esses preços fabulosos garantidos permanentemente, recebendo subsídios (isto é, á “diferença” entre o preço mundial e o preço garantido) de nada menos de US$ 200 bilhões no ano passado, pagos pelo Tesouro, isto é, pelos contribuintes. E, além desses subsídios, há também os impostos para “barrar” os concorrentes estrangeiros, como visto.
Por que o países ricos fazem isso? Para garantir emprego, renda, consumo no campo, garantindo, conseqüentemente, o crescimento do economia, mais empregou na indústria, e maior arrecadação de impostos. Como você já deve ter concluído a essa altura, os governos dos países ricos defendem seus interesses. Mas o problema, como você já deve ter percebido, também, é que são os países menos desenvolvidos, como o Brasil, é que pagam o pato por essa política. São esses países que acabam impedidos de desenvolver sua agricultura, exportar, criar empregos, crescer. Então, o desemprego no Brasil não é conseqüência da “globalização” coisíssima nenhuma. O desemprego avançou no Brasil nos últimos anos porque o governo FHC mentiu a Nação: “escancarou” o mercado para as importações, reduziu os impostos que os produtos estrangeiros – não apenas agrícolas – deveriam pagar para entrar no mercado brasileiro. O contrário do que os países ricos fazem. Agora, o próprio presidente FHC reconhece isso. É possível mudar esse quadro? Resposta amanhã.