Jornal Diário da Manhã , terça-feira 30 de agosto de 1983
REAÇÃO EM MARCHA – os economistas (não só do Brasil) ridicularizaram insistentemente a política econômica do presidente Reagan, a tal de “Reaganomics”. Por isso, quando a economia norte-americana começou a recuperação, em outubro do ano passado, ninguém acreditou – e os economistas passaram a dizer que a reação era “tímida” e “passageira”. Veio o primeiro trimestre, a economia dos EUA cresceu 4% (taxa anual), o ceticismo persistiu. No segundo trimestre, idem – até que as estatísticas oficiais indicaram um crescimento de mais de 9% para o PNB dos EUA. Agora, os economistas dizem que a reação da economia norte-americana é um fenômeno isolado, que não “puxará” a expansão econômica dos outros países ricos e, portanto, não mudará em nada a crise mundial. Continuam em cena as análises “voluntaristas” (isto é, que tentam enquadrar a realidade às teorias, e não o contrário). É evidente que os EUA não são uma “ilha”, no mundo. Se sua economia cresce, se milhões de automóveis são produzidos, milhões de casas construídas, milhões de eletrodomésticos vendidos, a indústria norte-americana precisará comprar mais petróleo, mais minérios, mais metais – dos países em desenvolvimento, detentores dessas matérias-primas. Esses países, por sua vez, com maiores exportações e mais dólares, começam também a importar mais – dos EUA e dos demais países desenvolvidos, que também precisam de mais matérias-primas. Óbvio. Toda a economia mundial entra em recuperação. Bom para o Brasil, que também exportará mais.
“VOLUNTARISMO” – as análises “voluntaristas” dos economistas causam imensos prejuízos e só servem para alimentar teses irreais, bagunçando o entendimento da realidade mundial – e do Brasil. A recuperação mundial enfraquece, por exemplo, a tese de que “os países endividados não podem pagar suas dívidas”, e por isso os bancos terão que aceitar um acordo. Ou a “moratória unilateral”.
DÓLAR – caiu 5,6% no “negro”, na semana passada. Quanto mais avançarem as negociações com os credores do Brasil, maior será a queda.