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  Pobre de você, consumidor

Jornal Diário Popular , dezembro de 1999


Você, entra em um consórcio, e ele “quebra”. Você resolve aderir a uma cooperativa de crédito, a diretoria faz falcatruas, você perde seu dinheiro. Quem deve fiscalizar esse tipo de atividades, combater golpes milionários? Pela lei, a responsabilidade tem sido do Banco Central. Tem sido. Mas, é bom você saber, na prática, essa defesa do consumidor não existe mais, ou está seriamente ameaçada. Por quê?

Conforme esta coluna narrou ontem, o presidente do BC, senhor Armínio Fraga, implantou uma “reforma” no banco. Essa “reforma” deveria preocupar-se em aumentar a estrutura do BC, criar delegacias de fiscalização em maior número de Estados, para evitar os crimes contra o consumidor – e também combater os crimes contra o País e a economia do País, como a remessa de dólares, a lavagem de dólares e reais que sustentam o narcotráfico e o contrabando.

Pois, como dito ontem, a “reforma” do governo FHC fez exatamente o contrário, “fechou” um sem-número de delegacias do BC dos Estados. Caminho livre para a criminalidade. Distração? Tudo planejado.

Os objetivos do novo Banco Central foram explicados por uma de suas diretoras, Tereza Grossi, em uma teleconferência. Um deles: deixar de cuidar do chamado “mercado marginal” (Não ligados diretamente a bancos), de consórcios de cooperativas de crédito.

Isto é, a lei manda o BC responsabilizar-se pela área, mas ele a ignora. Por quê? O “raposa” Armínio quer concentrar recursos para funções mais “sofisticadas”. Como diz dona Tereza: o BC vai concentrar a fiscalização nos grandes conglomerados, grande grupos financeiros. E, como as matrizes desses grupos ficam no Sul do País, deixou de haver fiscalização do BC no restante do Brasil.

A esta altura, uma assistente da teleconferência pergunta: “Mas em Salvador funciona a matriz de um grande grupo estrangeiro, o HSBC, que comprou o Econômico, e vocês estão fechando a delegacia local. Por quê?”.

A resposta de dona Tereza é de arrepiar. Veja você mesmo: “O HSBC Brasil é um banco estrangeiro... uma parte muito pequena do HSBC Internacional... qualquer problema que acontecer... o controlador (matriz) vai resolver... se esse banco tiver um problema de capitalização aqui vai ser resolvido imediatamente, nós não temos por que ter receio de que esse banco possa quebrar aqui e causar problema ao sistema financeiro brasileiro...” Leia e releia esse trecho. É de arrepiar: o Banco Central não está interessado a fiscalizar para evitar contrabando, lavagem de dinheiro, remessa de dólares, manobras que abalam o real e a economia nacional. Que tudo isso se lixe! A única preocupação do Banco Central, revela dona Tereza, é evitar que um banco tenha problemas e crie problemas para os outros banqueiros. Viva a “reforma” de Fraga! Viva a corrupção! Viva os banqueiros!



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