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Jornal Diário da Manhã , sábado 17 de setembro de 1983


DEPOIS DA PORTA ARROMBADA – O governo anuncia que vai passar a controlar a margem de lucro do comércio na venda de alimentos industrializados. Isso, depois de a inflação passar de 150% ao ano, e depois da inacreditável especulação na área da alimentação, sobretudo a partir de junho. Dá até para desconfiar: justamente agora que as novas safras se aproximam e os preços tendem a cair a partir de novembro é que o CIP (Conselho Interministerial de Preços) resolve atuar? Do jeito que o Ministério do Planejamento tem se comportado em relação à carestia, não é um absurdo, prever que o CIP pode “tabelar” os preços no varejo – para que eles não caiam.

ARROMBANDO A PORTA – Veja-se o caso do óleo de soja, mais uma vez: a saca de soja passou de Cr$ 8.000,00, em julho, para Cr$ 16.000,00, em agosto. Pois o Ministério do Planejamento, CIP e Secretaria Especial de Abastecimento e Preços autorizaram a indústria a vender o produto a mais de Cr$ 700,00 a lata de óleo, como se as empresas tivessem comprado a soja a Cr$ 16.000,00, e não a Cr$ 8.000,00 (ou até menos, nos meses anteriores, em que formaram seus estoques da matéria-prima). Tudo, ainda, com um lucro limpinho de 30% sobre esses “custos”.

CEPALINOS DO PODER – O governo Montoro, de São Paulo, formou seu secretariado com base em famosos economistas de oposição, ligados a chamada “escola da Unicamp” e influenciados pelo pensamento terceiro-mundista da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina), de que a economista Maria da Conceição Tavares é um dos nomes mais famosos. Os cepalinos-unicampianos parecem ter levado, para dentro do poder, a sua visão “catastrofista” dos problemas da economia brasileira e mundial. Os secretários de Planejamento e da Fazenda de São Paulo estão prevendo uma queda de 14% na arrecadação do ICM paulista, este ano, em relação ao ano passado, e de mais 24%, sobre este ano, em 1984. Com esse pessimismo todo, elaboraram o orçamento do Estado para o próximo ano, limitando obras e investimentos (já que não se acredita em boa arrecadação). Quer dizer: o próprio governo paulista vai contribuir para “esvaziar” o crescimento econômico do Estado, ao investir pouquíssimo. Desse jeito, é possível que a arrecadação acabe caindo, mesmo.



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