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  Telefones e otários

Jornal Diário Popular , quarta-feira 21 de junho de 2000


Vem aí novo aumento para as contas de telefones, assim como tem havido reajustes para as contas de luz. Você deve pensar com seus botões: Mas como isso é possível, se na época da privatização o governo e a grande imprensa viviam repetindo que o consumidor iria ser beneficiado com a redução das tarifas? O povo brasileiro foi literalmente tratado como otário, naquela época, com uma enxurrada de mentiras destinadas a obter apoio da população para a venda das estatais: Correção anual — Como você sabe, o governo FHC extinguiu a correção automática, de acordo com a inflação, para salários e uma série de custos. Mas, ao contrário do que a imprensa mentia, os contratos assinados com os ‘‘compradores’’ das telefônicas e companhias de energia elétrica previram aumentos anuais das tarifas, ‘‘no mínimo’’, de acordo com a inflação. Por quanto tempo? Ao longo de nada menos de cinco anos para as telefônicas e, pior ainda, durante nada menos de oito anos para as empresas de energia. E o que significa aquele ‘‘no mínimo, de acordo com a inflação’’? É simples: as empresas ganharam o direito de aumentar as tarifas também se seus custos sofressem aumentos acima do previsto — como, por exemplo, uma desvalorização do real, que encarecesse peças, componentes, máquinas que elas importam. Como você pode ver, um tratamento totalmente privilegiado: todas as outras empresas, ou os agricultores, tiveram que enfrentar esses aumentos de custos sem repassá-los para os preços reduzindo sua margem de lucros ou enfrentando prejuízos.

Povo esfolado — O bolso das famílias de trabalhadores e classe média foi violentamente atingido por outra distorção das privatizações, cuidadosamente escondida pelo governo e grande imprensa. Antes das privatizações, as telefônicas (e as empresas de energia) cobravam preços mais baixos pelos serviços mais utilizados por toda a população: ligações locais, assinatura mensal, fichas para os orelhões. Essa política foi totalmente invertida. Desde que começou a preparar a privatização, o governo autorizou essas empresas a eliminarem as tarifas mais baixas para quem consome menos — e a cobrarem menos pelos serviços mais utilizados pelos mais ricos...

Povo otário — Com essa nova ‘‘política’’, as tarifas telefônicas subiram, na média, incríveis 500% de 1994 para cá. E mesmo esse aumento incrível é mentiroso: aqueles serviços locais mais utilizados encareceram nada menos de 2.800%, ou praticamente 30 vezes, enquanto os serviços interurbanos e internacionais chegaram até a ter redução nas tarifas... O aumento de 500%, em resumo, é apenas a média entre os 2.800% e os reajuste menores para os serviços destinados aos ricos. Essa aberração continua no aumento agora anunciado: o governo diz que, na média, o aumento é de 10,5%. Na verdade, houve um aumento de 20% ou (exatos 19,92%) para as assinaturas residenciais, 7% para as ligações locais e, atenção, apenas 3,7% para as ligações internacionais.

Ainda há tempo para evitar novas privatizações que sacrifiquem o consumidor, como a da Cesp em São Paulo.



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