Jornal Folha de S.Paulo , terça-feira 5 de abril de 1983
Graças ao rígido controle de importações adotado em dezembro, o México obteve um superávit de US$ 1,4 bilhão em janeiro deste ano, com as compras externas atingindo apenas US$ 400 milhões. O saldo positivo representa o triplo da média mensal de US$ 500 milhões que o país precisaria alcançar, no transcorrer de 1983, para atingir o superávit de US$ 6 bilhões em sua balança comercial este ano, estabelecido nos acordos com o FMI e os bancos credores.
Esse excelente resultado não se repetirá nos próximos meses, prevendo-se que os saldos voltarão a situar-se na faixa de US$ 500/ 600 milhões. Ainda assim, o saldo de janeiro é um imenso trunfo para o governo mexicano: de um lado, ele reforça a credibilidade do país no mercado internacional, facilitando o refinanciamento da dívida de curto prazo (US$ 30 bilhões), atualmente em discussão com os banqueiros. De outro, o fato de o México precisar, agora, de saldos no montante de US$ 4,5 bilhões nos onze meses restantes do ano, cria imensa margem de manobra para os governantes.
A partir de agora, será possível maior liberalidade em relação às importações de peças, componentes e matérias-primas, permitindo-se que a indústria reative parcialmente suas linhas de produção.
O México, ao contrário do Brasil, começou a conter o crescimento de sua dívida externa já a partir do final de 1981, quando estabeleceu uma primeira etapa do programa de controle das importações. Com isso, já nos três primeiros trimestres de 1982 ele acumulou um saldo positivo de US$ 3,1 bilhões em sua balança comercial, reforçados por superávits de US$ 1 bilhão por mês, em média, no trimestre final, fechando o ano de 1982, portanto, com um superávit de US$ 5,5/ 6 bilhões, contra os ínfimos US$ 800 milhões registrados pelo Brasil.