Jornal Folha de S.Paulo , quinta-feira 10 de janeiro de 1985
Houve quem se alarmasse, ontem, com a informação extra-oficial de que a inflação teria chegado a 5% nos dez primeiros dias de apuração do índice de janeiro, pela Fundação Getúlio Vargas. A preocupação é equivocada pois a notícia, se verdadeira, é até auspiciosa, exigindo a revisão (para baixo) das previsões de uma inflação de “até 15%” este mês. Auspiciosa, por muitos motivos. Primeiro, porque esses 5% são inferiores, mesmo, aos 5,4% registrados nos dez primeiros dias de dezembro que, lembre-se, registrou uma inflação final de 10,5%. Segundo, porque era exatamente para este período que se previa um resultado “espantoso” para a taxa inflacionária. Como se sabe, a Fundação suspendeu as pesquisas de preços para cálculo da inflação a partir do dia 21 de dezembro – isto é, quatro dias antes do prazo normal, dia 25. Com isso, a taxa dos dez primeiros dias deveria sofrer uma sobrecarga “extra”, com os aumentos de preços ocorridos naqueles quatro dias não incluídos na inflação de janeiro. Mesmo que a taxa inflacionária de 5% para o primeiro decênio (dez dias) não venha a ser confirmada hoje, pela FGV, a maré de alarmismo em torno da inflação de janeiro vem sofrendo um movimento vazante, nos últimos dias, com previsões mais moderadas – “de 12% a 13%” – para carestia do mês.