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  O agravamento da crise

Jornal Folha de S.Paulo ,


Manchetes otimistas, quase eufóricas, dominaram todos os dias de janeiro. Agora, as estatísticas econômicas que vêm sendo divulgadas mostram outra realidade. Assustadora.

. Comércio _ Na Grande São Paulo, o faturamento caiu 15% em janeiro. E foi sepultada a tese, tão em moda, de que o consumidor está comprando mais e gastando menos: o volume físico de mercadorias também recuou (5,7%).

Detalhe: a queda atingiu todos os setores do comércio. Única exceção: o grupo de semiduráveis (roupas, por causa das liquidações da época). . Automóveis _ Em 9 de janeiro, o noticiário cor de rosa apregoava: "Montadoras elevam (sic.) em 36% a produção do mês".

Apesar do verbo ("elevam") em tom afirmativo, a notícia se referia apenas à programação de produção para o mês, no total de 132,5 mil veículos. Ela foi cumprida? Não. Foram produzidos 110 mil veículos, ou 22,5 mil abaixo da meta.

. Encalhe _ segundo manchete recente, "Venda de carros nacionais cresce 31% em janeiro", de 71 mil para 94 mil. O resultado se refere às vendas da indústria aos revendedores. Na verdade, ele mostra queda de 13% sobre dezembro, que já havia acusado recuo sobre novembro. O resultado favorável é sobre janeiro de 1995, e mesmo aí há um macete, a venda de carros importados caiu de 25 mil para 5.100. Assim, o mercado como um todo (nacionais e importados) caiu (8%), mesmo sobre 1995.

. Inadimplência _ afirmava-se que consumidores e empresas vinham pagando dívidas. Antes de mais nada: o número de carnês em atraso na Grande São Paulo, de 2,7 milhões em dezembro, estava apenas ligeiramente abaixo do recorde de 3 milhões de carnês em junho. Mas era quase cinco vezes maior do que os 600 mil tradicionais. Agora, em janeiro, o número de consumidores em atraso voltou a crescer, para 130 mil contra 112 mil em dezembro. Pior ainda: o número de consumidores que regularizaram sua situação caiu em 7%, sobre dezembro. Quanto às empresas: os pedidos de falência recuaram no começo do mês, devido às férias forenses. Mas na última semana de janeiro já saltaram para 62, contra 42 no período anterior.

Lesa-pátria

Desde setembro, a equipe FHC vem prevendo recuperação para a economia, redução da inadimplência com a desova de estoques pela indústria. Em janeiro, seu otimismo cresceu, baseado em possível aumento de vendas pelo comércio, e baixos estoques. Tanto, que o Banco Central resolveu, há duas semanas, dar uma "parada" no afrouxamento do crédito...

Recessão, sim

O IBGE anuncia que a indústria de todo o país recuou 11,7% em dezembro. Com isso, a expansão em 1995 ficou em 1,7%. Bem longe dos 5% que a equipe FHC previu ao longo do ano inteiro.

Sem moral

No passado, o Ipea foi um respeitabilíssimo instituto de pesquisas e estudos econômicos, embora governamental. Em 1995, seu empenho foi em confirmar a versão oficial de que a economia não estava em recessão. Agora, após rebaixar sua previsão de crescimento do PIB em 1995 para 3,9% em novembro e 2,9% em dezembro, prevê 2% apenas, em sua carta de janeiro. E até ele prevê recessão, queda do PIB para o trimestre (na verdade, 12 meses até março). Menos 2,2%.

Os pobres

Para as cadernetas de poupança, os saques voltaram a superar os depósitos em janeiro. É assim desde julho de 1995 (o saldo de dezembro se deve à conversão de dinheiro confiscado no governo Collor). Segundo um grande banco, 90% dos saques eram no máximo de R$ 100, em 1995.

Perguntinha

1. O comércio tem vendido produtos de menor valor, fenômeno claríssimo no Natal. A classe média passou a preferir camisetas de R$ 10 como presente?

2. O salário real médio é o mais baixo desde 1985, na Grande São Paulo. Como apostar em redução da inadimplência e reativação da economia?



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