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Jornal Diário da Manhã , sábado 26 de novembro de 1983


JUROS EM QUEDA – com o declínio da inflação este mês, já confirmada a esta altura, as taxas de juros também entrarão em queda (já que uma “fatia” das taxas é representada, na verdade, pela correção monetária que acompanha a taxa inflacionária). Mas elas continuarão proporcionalmente elevadas, principalmente por causa dos aumentos “indiretos” estabelecidos pelos bancos através de mecanismos como saldo médio, reciprocidade etc.

O declínio acentuado para as taxas de juros está sendo construído para 1984. Como assim? Através da redução do chamado déficit do setor público, isto é, dos “rombos” dos Estados, Municípios, orçamento monetário etc. Previa-se que a arrecadação da União, em 1984, chegaria aos 21,5 trilhões de cruzeiros. Com o decreto 2.065, ela irá para 25,0 trilhões de cruzeiros, deixando um superávit de nada menos de 5,0 trilhões. O governo vai usar esse dinheiro para reduzir o crescimento da dívida interna, representada pelos títulos do Tesouro Nacional (Obrigações Reajustáveis e Letras), vendidos no open, e que puxam as taxas de juros para cima.

TRATAMENTO DE CHOQUE - sem anunciar, o governo parece ter decidido aplicar um “tratamento de choque” à economia, para reduzir a inflação e reduzir o déficit público – enquadrando-se assim mais depressa nas metas do FMI. Essa é a única explicação para que o governo, mesmo já sabendo que teria uma sobra de Cr$ 5,0 trilhões em suas finanças em 1983, tenha feito novo aumento “indireto” no Imposto de Renda, desta vez através de uma correção de apenas 80% no tributo descontado na fonte e 1983 (ver seção de Economia, nesta edição).

SACRIFÍCIO MAIS CURTO? – com o governo raspando o fundo do tacho, através do aumento dos impostos, sofre o contribuinte. O único conslo é esperar que, assim, a solução dos problemas econômicos realmente chegue mais depressa, permitindo que o País, já a partir do segundo trimestre do próximo ano, adote – gradativamente – medidas para reativar a economia. Para acelerar o abrandamento da recessão, e criar empregos.

ESTADOS CONTRIBUEM – deve-se notar que o déficit do setor público é formado também pelos déficits dos Estados, Municípios e empresas estatais de seus governos. Ao aumentar o ICM em 1%, e permitir a mini-reforma tributária desta semana, o governo federal estava reforçando o “tratamento de choque” – também para reduzir mais depressa o déficit nessa áreas.



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