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  Inflação e piadas do IBGE

Jornal Diário Popular , quinta-feira 7 de outubro de 1999


A inflação chegou a quase 1% em setembro, em São Paulo. Os técnicos dizem que o resultado foi uma surpresa, mas que a alta do índice é passageira, pois se deveu a poucos produtos isto é, não há remarcação generalizada de preços. Esse otimismo é perigoso. Pode estar abrindo caminho para novas confissões de “surpresa”, daqui a alguns dias. Por quê? Vale a pena ver o que está acontecendo neste mês de outubro. O custo da cesta básica, neste começo de mês, já subiu praticamente 4%.

Pior ainda: as pesquisas da Federação do Comércio, realizadas com os próprios lojistas, mostram também uma elevação na faixa dos 3% nos preços cobrados do consumidor. Há mais, porém: na surdina, o próprio governo aumentou em 9% os preços do óleo combustível, utilizado pela indústrias – por causa da alta do petróleo, que ainda não foi totalmente repassada aos preços dos derivados.

Houve reajuste equivalente, na mesma faixa, para alguns tipos de aço – conforme protestos do setor de autopeças, que utiliza a matéria-prima. Em resumo: a indústria e comércio, nos últimos meses, procuraram evitar reajustes de preços, por temerem nova queda nas vendas, já que a população está com seu poder aquisitivo destruído. Mas, a partir de determinado momento, esse represamento fica o impossível, diante da alta incessante no custo de matérias-primas básicas provocada, inclusive, pela escalada do dólar.

Se o otimismo em relação à inflação é uma temeridade, ele passa a parecer autêntica piada de mau gosto quando se trata da célebre “recuperação” da economia. O IBGE e também entidades empresariais como a Federação das Indústrias paulista e Confederação Nacional da Indústria divulgaram resultados menos negativos para o mês de agosto. Esse resultado, sim, é um mistério. Ora, a produção de automóveis neste ano está na faixa dos 120 mil, contra 180 mil em 1998. A produção de eletroeletrônicos, igualmente, acusa queda de uns 30%.

Então, fica a pergunta: se esses setores estão produzindo muito menos, obviamente os fornecedores de aço, alumínio, plásticos, borracha, tintas, material elétrico sofrem retração proporcional em suas vendas e produção. Toda a indústria sofre. Como isso não aparece nas estatísticas do IBGE e entidades empresariais? A verdadeira situação da economia brasileira pode ser avaliada pelos resultados das vendas de automóveis em setembro, divulgados pela associação das revendedoras.

Apesar de todas as violentas promoções, apesar de o consumidor saber que a redução de impostos ia terminar, e por isso os preços subiriam, mesmo assim foram vendidos apenas 102 mil veículos no mês passado contra 116 mil em agosto e 174 mil em igual mês do ano passado. Isto é: 72 mil veículos a menos. Ou uma queda de 41%. O Brasil real não aparece nas estatísticas oficiais.



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