[O Brasil de Aloysio Biondi Obra Vida Projeto Se Deus fosse mesmo brasileiro, teria dotado seu povo de maior sensibilidade para as mentiras estatísticas
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  Jornalista faz denúncia da privatização

Jornal Folha de S.Paulo , sábado 8 de maio de 1999


Polemista por natureza, atento sempre aos escorregões de economistas e autoridades, o jornalista Aloysio Biondi é um pioneiro na cobertura de assuntos econômicos no Brasil. Seu novo alvo é o processo de privatização no país, que ele prefere chamar de “desmonte do Estado”. Infelizmente o seu panfleto (no bom sentido, diga-se) foi publicado pela Editora Fundação Perseu Abramo, uma instituição do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores. Digo isso não por qualquer preconceito ideológico, mas por saber que um bom número de leitores (quase todos os não petistas), mais ou menos qualificados, cultivam esse preconceito. Verão o livro de Biondi e, sorrindo amarelo, provavelmente vão descartá-lo, liminarmente, como “coisa do PT” ou, se não quiserem explicitar o preconceito, poderão dizer que é “coisa de fracassomaníaco”. Pena. O processo de privatização é tão imperfeito quanto outras tantas iniciativas do governo FHC. E Biondi, nesse livro, coleciona um conjunto bastante razoável de argumentos, alertas, denúncias e avaliações bastante pertinentes para um não petista. Entre os argumentos de Biondi que poderiam ser subscritos por muita gente, em muitos partidos, está a defesa de uma privatização democrática, como se fez na Inglaterra (aliás, modelo de muito neoliberal), com pulverização de ações. No Brasil, houve quem cogitasse da idéia, mas ela acabou engavetada (a idéia).

Outro aspecto crítico diz respeito à atuação do BNDES. Ou seja, ao fato de que o governo financiou a privatização. Outro refere-se à utilização das chamadas “moedas podres”. Ou ainda à política de correção de tarifas e aos acordos de reajustes de tarifas após a privatização, quando em outros países o modelo colocou em primeiro plano a redução de preços, para beneficiar o quanto antes os usuários. Vários desses argumentos têm surgido nos últimos anos em editoriais de jornais, em artigos de economistas e até em textos do Ipea (órgão de pesquisas do governo federal). A rigor, ainda não surgiu um balanço completo do processo de privatização no Brasil. O mérito desse panfleto jornalístico do veterano Aloysio Biondi é colocar todo o processo em perspectiva, provocando uma discussão mais que oportuna. É bastante útil contar com uma espécie de resumo das críticas feitas até agora, organizadas com grande didatismo. Mas, é preciso dizer isso com clareza, faltou o “outro lado”. Ou seja, Biondi deixou de fora muitos argumentos favoráveis ao processo de desestatização. E balanço com um lado só, por definição, não é balanço.



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