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  Preços ainda em queda

Jornal Diário da Manhã , domingo 30 de outubro de 1983


Pela quarta semana consecutiva, mantém-se a tendência de baixa para os preços dos alimentos básicos, no atacado, iniciada após o “pico” das manobras especulativas no final de setembro. Na semana que passou, a principal queda atingiu o óleo de soja, com o tipo bruto vendido a Cr$ 600,00 o quilo, no atacado, contra Cr$ 755,00 na semana anterior e, contra Cr$ 850,00, em meados do mês (v. tabela), totalizando um recuo, assim, de nada menos de Cr$ 160,00 por quilo, ou 22%, em duas semanas. Também a carne fresca (resfriada) acusou declínio, de cerca de 13% com o traseiro passando a ser vendido, pelos frigoríficos, a Cr$ 1.360,00, em média, contra Cr$ 1.550,00 nas semanas anteriores – e contra Cr$ 1.800,00 no começo de setembro, acusando queda de Cr$ 150,00, ou quase 25% em relação ao “pico”. Para o feijão, frango, ovos, carne suína, houve relativa estabilidade, após as quedas da semana anterior. Para o milho e o arroz, a situação permaneceu inalterada, enquanto a batata voltou a sofrer leve declínio. Produto por produto, eis a evolução e perspectivas:

Óleo de soja – o principal motivo de sua queda no mercado interno (que deve prosseguir) foi o novo declínio de cotações em Chicago, decorrente de duas notícias surgidas durante a semana. Primeiro: apesar da quebra na safra norte-americana do grão, a produção de óleo não cairá na mesma proporção, porque o rendimento, na extração do óleo, está sendo superior aos padrões normais. Segundo: houve uma queda no consumo, nos países ricos, devido à alta de preços no segundo semestre, provocando uma queda de 4% na demanda de óleo.

Soja – lá fora teria forçosamente que acompanhar a tendência surgida para o óleo. Em relação a 9 de setembro, a queda acumulada chega a 18%. No mercado brasileiro, a saca caiu de Cr$ 15.250,00 para Cr$ 15.000,00 (e contra Cr$ 17.000,00, em 30 de setembro).

Carne – segundo o Serviço de Informação do Ministério da Agricultura, o preço da carne de primeira (traseiro) caiu de Cr$ 1.550,00 para Cr$ 1.350,00 o quilo, em Goiás. No final da semana, no chamado “mercado futuro” de São Paulo, esboçou-se novo movimento especulativo que, se não for bloqueado pelo governo, poderá resultar em alta de preços nas próximas semanas, para o consumidor.

Batata – nova queda, para Cr$ 16.000,00 a saca, ou cerca de Cr$ 270,00 o quilo, no atacado, contra até Cr$ 25.000,00 em 9 de setembro.

Feijão – após a queda de 28% para o tipo carioquinha, a partir do começo de outubro, houve estabilização nos preços. Prevê-se queda rápida, a partir de agora, com intensificação da colheita no Paraná.

Milho – preços “especulativos” ainda imutáveis, embora no interior do Paraná já comecem a ser realizados negócios a preços mais baixos nas zonas de produção onde houve plantio precoce. Frango e ovos – diante da crise da avicultura, os preços variam largamente. Em São Paulo, supermercados vendiam o quilo de frango a Cr$ 950,00, na semana passada, contra Cr$ 1.200,00 anteriores.



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