Jornal Folha de S.Paulo , domingo 16 de janeiro de 1983
A nação quer saber quais os rumos da economia
Olavo Setúbal, presidente do segundo maior banco privado do país, o Itaú, entende que “a crise econômica brasileira é grave, bate à nossa porta diariamente, e a sociedade espera que as autoridades definam com clareza os rumos a serem traçados”.
Segundo ele, “chegamos a uma situação em que é indispensável o governo explicar à Nação o que está acontecendo e revelar quais os seus planos para enfrentar a crise”. No entanto, lembra, “só ouvi o presidente da República falar em economia de guerra; até agora, nenhum ministro fez qualquer referência ao assunto”.
Em entrevista à “Folha”, o ex-prefeito de São Paulo diz ser uma ilusão pensar que os países ricos continuarão financiando as nações pobres: “Os recursos externos estão esgotados e por tempo indeterminado. Agora, o alicerce da economia brasileira está no crescimento da poupança financeira interna, aliada à adoção de uma política mais realista.” Essa política terá de contemplar dois pontos essenciais: mudanças cambiais ( câmbio duplo, ele sugere) e queda nas taxas de juros internas.
Setúbal acredita que o 15 de novembro provocará uma distribuição do poder, mas não acredita em um governo de união nacional. “Só acho que os detentores do poder terão que se justificar perante a sociedade que os apoiou”, conclui.