Jornal Diário da Manhã , terça-feira 13 de setembro de 1983
EMISSÃO MONSTRO
Alguns dias antes da queda do ex-presidente do Banco Central, Carlos Langoni, boatos correntes no mercado financeiro afirmavam que o ministro Delfim Netto desejava realizar uma emissão maciça de dinheiro, da ordem de Cr$ 3 a Cr$ 5 trilhões, para forçar a queda das taxas de juros. Se adotada, a proposta de Delfim estaria obedecendo a sugestões de economistas de oposição que, nos dois últimos anos, vêm afirmando que a política monetária do país é uma aberração: a partir da teoria de que as emissões de papel-moeda provocam inflação, o governo brasileiro adotou a rotina de emitir Letras do Tesouro Nacional e ORTNs, para captar recursos e cobrir toda a sorte de “rombos” que representam o déficit do setor público (ver artigo na edição do último domingo). Acontece que, com as vendas desses títulos, o Tesouro foi aumentando sua dívida interna, hoje na casa dos Cr$ 16 trilhões, e sobre as quais vem pagando, frequentemente, juros de mais de 200 por cento ao ano. Além disso, a venda maciça desses títulos alimenta a especulação no open e é usado como pretexto para aumentar as taxas de juros. Por isso, diziam os economistas de oposição, o endividamento interno era uma burrice: ele provoca mais inflação ( via juros) do que a própria emissão de papel-moeda.
Delfim Netto parece ter-se convencido disso.
AVAL DO FMI
A substituição de Langoni por Pastore intensificou os rumores sobre a maxi-emissão de moeda, que evitaria a venda de Cr$ 3,0 a Cr$ 5 trilhões em LTNs e ORTNs, reduzindo a pressão sobre os juros no open. Pastore reafirmou no final da semana que tenciona reduzir os juros: isso, às vésperas de uma reunião do Conselho Monetário na próxima quarta-feira (amanhã), e pouco antes de partir para os EUA, onde o novo presidente do BC ficaria segunda e terça-feira, para conversações com o FMI e banqueiros internacionais. Nos meios financeiros paulistas, acredita-se que Pastore tenha ido buscar a autorização do FMI para realizar a emissão, que “estouraria” a meta de expansão monetária (emissões) prevista na nova Carta de Intenções.