[O Brasil de Aloysio Biondi Obra Vida Projeto
data
veiculo
tema
Palavra-chave
Voltar

  Faltou dizer

Jornal Diário da Manhã , sexta-feira 2 de setembro de 1983


O SOFISMA DE DELFIM – ao defender o decreto 2.045 diante dos deputados do PDS, o ministro Delfim Netto procurou desmentir que o peso dos salários seja pequeno no fechamento das empresas. Realmente – argumentou – eles podem representar apenas 20% na produção de determinado bem, mas – apontou, triunfante – é preciso lembrar que os salários entram no custo das matérias-primas, peças, componentes e, por isso, somando-se tudo, os salários chegariam a 50% do custo de um produto. Deve ser essa a primeira vez, na história da humanidade, que um ministro do Planejamento tem a coragem de tentar provar que “a soma das partes é maior do que o todo”. Se os salários custarem 20% do preço de uma venda de uma matéria-prima, mais 20% do preço de uma peça, mais 20% de um componente e assim por diante, é evidente que, no somar todos esses preços, para obter o custo final do produto, os salários continuarão representando 20% desse valor total.

OUTRA DE DELFIM – no mesmo depoimento, o ministro teceu longas teorias para demonstrar que os salários não podem subir mais do que a produtividade, isto é, o aumento da produção “per capita”, porque isso seria inflacionário. Só que o decreto 2.045 não tem nada a ver com essa teoria: ele não pretende impedir que os salários ultrapassem os ganhos de produtividade. Ele pretende reduzir os salários em 20%, mediante a aplicação de somente 80% do INPC – “expurgado”, ainda por cima.

MAIS OUTRA DE DELFIM – para “mostrar” que em outros países os sindicatos aceitam o achatamento salarial, Delfim contou a história do Japão onde, em 1981, diante de uma inflação de 5,2% e um crescimento da produtividade de 2,9%,pediam um reajuste de 10%, e acabaram concordando com “só 7,0%”. O ministro procurou confundir os deputados: o reajuste de 7,0% está quase 40% acima dos 5,2% de inflação.

MAIS OTIMISMO – a indústria automobilística dos EUA, com avanço de 40% em suas vendas nas últimas semanas, programou produzir 660 mil veículos em setembro, que, projetados para 12 meses, significam uma taxa anual de 7,32 milhões de carros, contra a média de 5,0 milhões atingida no pico da recessão, em meados do ano passado. Mais exportação de peças, minérios e metais, pelo Brasil.



Acompanhar a vida do site RSS 2.0 | Mapa do site | Administração | SPIP Esta obra está licenciada sob uma Licença CreativCommons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil