[O Brasil de Aloysio Biondi Obra Vida Projeto
data
veiculo
tema
Palavra-chave
Voltar

  Foram outros jogadores que derrubaram Osiris

Jornal Diário da Manhã , sexta-feira 22 de julho de 1994


Quando Collor foi afastado e Itamar Franco substituiu, os poderosos grupos econômicos do Sul-Sudeste desencadearam, na grande imprensa, violenta campanha para desmoralizá-lo. Motivo: o mineiro Itamar pertencia a um grupo de políticos favorável a mudanças capazes de reduzir os privilégios àqueles grupos econômicos, e responsáveis pela vergonhosa concentração de renda no Brasil. Itamar resistiu por algum tempo, como ficou claro na nomeação de seus primeiros ministros na área econômica: Krause na Fazenda, e Haddad, no Planejamento.

Dois nomes fora do eixo Rio-São Paulo, onde os economistas mantêm fortes ligações com banqueiros e empresários. Qualquer brasileiro de memória mediana ainda se lembra da tempestade de críticas, na imprensa, que intensificou sua campanha para criar uma imagem de “pateta” para o presidente. Muitas águas rolaram, e não faltou nem mesmo uma articulação para decretar também o impeachment do Itamar. O presidente substituto finalmente sucumbiu e aceitou um ministro paulista para dirigir a economia, o professor Fernando Henrique Cadoso, devidamente escoltado pelo sempre-candidato-a-ministro-José Serra, ambos nomes confiáveis para o empresariado. Naqueles tempos, Itamar travou sua última batalha em defesa das últimas propostas. Nomeou, para a Secretaria da Receita Federal, um técnico considerado “linha-dura”, isto é, não conivente com a sonegação, crime que os ministros da Fazenda vêm cometendo há décadas. Osires Lopes Filho tentou levar sua tarefa avante, sempre torpedeado pela equipe FHC/Serra – e obrigado a ficar de boca calada. Auxiliando a ação dos sonegadores, FHC chegou a vetar recursos para contratação de novos fiscais e para reaparelhamento do Serpro, o órgão encarregado do processamento computadorizado dos trabalhados da Receita. A perseguição foi a um ponto tão escandaloso que, neste ano, o inacreditável aconteceu: o ministério da Fazenda não liberou verbas nem mesmo para a Receita poder confeccionar os formulários para a declaração do Imposto de Renda – ou para comprar selos para sua remessa pelos Correios. Anestesiada pela grande imprensa a sociedade brasileira aceitou bovinamente esses absurdos, esses crimes de lesa-pátria como se tudo fosse natural, problemas da “falta de dinheiro do governo”. A sociedade brasileira precisa entender que esse é um mito alimentado por grupos poderosos. Não é o governo que “não tem dinheiro”, ou está “quebrado”. São os ministros da Fazenda que, criminosamente, não têm cobrado os impostos que deveriam ser pagos por grupos econômicos, capazes, aliás, de financiar as campanhas dos candidatos que lhe interessam – porque se comprometem a manter seus privilégios. Eles, certamente, estão festejando a queda de Osires Lopes Filho. E Itamar? Aquele, bem intencionado, morreu há muito tempo.



Acompanhar a vida do site RSS 2.0 | Mapa do site | Administração | SPIP Esta obra está licenciada sob uma Licença CreativCommons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil