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  Os clientes, esfolados pelos bancos

Jornal Folha de S.Paulo , quinta-feira 23 de maio de 1996


Empresários protestam contra as taxas de juros, pedindo sua redução. Retruca o sorridente presidente do Banco Central (que deveria cuidar dos interesses do contribuinte, povão e classe média, e não dos banqueiros):

’’Ah! Os bancos estão com muitos problemas, nesta fase de adaptação a taxas baixas de inflação. Não dá para reduzir os juros e prejudicar seus lucros.

Talvez haja uma saída: reduzir os juros e, para compensar, nós aumentamos de novo as tarifas que os bancos podem cobrar sobre a emissão de talões de cheques, fornecimento de extratos, saques em caixas automáticos e em cabines 24 horas etc.’’

Lembretes ao sorridente presidente do Banco Central:

* Lucros _ os grandes bancos brasileiros, em 1995, tiveram lucros na faixa de 12% a 15% sobre o patrimônio. Isto é duas a três vezes a margem de lucro dos grandes bancos mundiais.

Bancos pequenos e médios chegaram a apresentar lucros de até 25% a 30% sobre o patrimônio, um disparate em termos mundiais.

* Lucros _ resultados iguais, na faixa de 12% a 15%, estão sendo revelados pelos balanços do primeiro trimestre deste ano.

* Tarifas _ já em 1995, expressiva parcela dos lucros dos bancos veio exatamente da cobrança de ’’tarifas’’.

Um grande banco paulista teve um lucro de 550 milhões de reais em 1995 _resultado fruto, em grande parte, de uma arrecadação de nada menos de R$ 1 bilhão com as tarifas.

* Enganados _ os brasileiros mal sabem as tarifas que estão pagando: incríveis, se forem calculados como um ’’percentual’’ do valor das operações.

Há bancos que cobram valores fixos _determinada quantia em reais_ em cada saque realizado nos caixas automáticos.

Quando os saques são de quantias modestas, essa cobrança acaba representando um confisco de 1%, 2% ou 3% do dinheiro do cliente. * Escalpelados _ os bancos cobram ainda de 7% a 10% (e até 20%) de taxa anual pela ’’administração’’ de fundos de renda fixa, ’’confiscando’’ praticamente todo o rendimento do dinheiro aplicado.

O investidor nem sabe que está pagando essa taxa.

Um banco central sério, a serviço do contribuinte, não pensaria em elevar tarifas. E, no mínimo, exigiria que os clientes fossem informados, com clareza, sobre ’’taxas’’ que estão pagando.

Sucesso?

A Light foi ’’privatizada’’ por R$ 2,2 bilhões. Na verdade, por R$ 1,2 bilhão, que foi o preço oferecido pelo grupo francês para comprar o seu controle, mesmo ficando com apenas 35% das ações. Desse R$ 1,2 bilhão, 30% _ou R$ 360 milhões- são moedas ’’podres’’.

O avesso

Do ’’Jornal Nacional’’, da Globo: ’’Com a privatização da Light, o consumidor vai ter reajustes abaixo da inflação em suas contas de luz’’. Desinformação. Avesso da verdade. Os compradores das estatais de energia estão, exatamente, exigindo que as tarifas sejam reajustadas todos os anos, ’’no mínimo’’ de acordo com a inflação. Correção monetária, que acabou para os salários.

Buraco

O ministro José Serra reafirma que o governo está vendendo suas estatais para reduzir sua dívida. E, em abril, a dívida interna (em títulos) do governo federal pulo de R$ 88,8 bilhões para R$ 91,5 bilhões. Mais 2,7 bilhões. Em um mês, mais do que o preço da Light, de R$ 2,2 bilhões. Três vezes o valor desembolsado pelos franceses.

Cavando

Razões do aumento da dívida do Tesouro em abril: socorro de R$ 1 bilhão a bancos; pagamento de R$ 2,5 bilhões em juros sobre a própria dívida, e R$ 1,1 bilhão para a compra de dólares que entram no país atraídos pelos juros altos. Total dessas três despesas: R$ 4,6 bilhões. No mês.

Achatando

O reajuste de 10% para o funcionalismo, não concedido até hoje, representará gastos de R$ 4 bilhões. No ano.



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