Jornal Diário da Manhã , terça-feira 27 de setembro de 1983
Juros em baixa – após atingirem 13,5% ao mês no começo de setembro, os juros no chamado “mercado aberto” (“open market”) vêm declinando gradativamente, apesar de algumas oscilações esporádicas para mais. No final da semana, emplacaram 12% ao mês. Silenciosamente, o Banco Central abre caminho para a redução do custo do dinheiro.
Sobra de dinheiro – Com a redução dos rendimentos do “open”, grandes empresas do Sul estão preferindo cancelar suas aplicações nesse mercado e utilizar o dinheiro para liquidar empréstimos bancários cujo custo (contando-se reciprocidade e outros expedientes semelhantes) superam aqueles 12% ao mês. Se a tendência persistir, pode-se inverter a situação atual e os banqueiros passarem a procurar clientes para oferecer empréstimos.
Pequeno beneficiado – Tradicionalmente, o pequeno investidor, com quantias consideradas pequenas (Cr$ 100 mil) pelos bancos, recebem taxas bem mais baixas, ao aplicarem no “open” por alguns dias. Com a “saída” das grandes empresas do mercado, alguns bancos mesmo, em Goiânia, aumentaram a taxa de juros oferecidos a esses pequenos aplicadores – se bem que elas continuem ainda alguns pontos percentuais abaixo daqueles 12%.
Mais investimento – por cautela, o governo previu que os investimentos estrangeiros no Brasil ficarão apenas em U$ 500 milhões, no próximo ano, nas contas que vem fazendo para concluir a renegociação da dívida com seus credores internacionais. Na verdade, já nesses próximos meses a entrada de capitais estrangeiros, como investimento, tende a crescer. Quando a economia mundial estava ladeira abaixo, no ano passado, as multinacionais suspenderam seus investimentos porque tinham instalações ociosas em seus próprios países e em outras partes do mundo. Agora, caminha-se para a retomada de projetos. No caso dos metais, a indústria norte-americana de alumínio, por exemplo, chegou a operar com 75% de capacidade ociosa. Hoje a utilização se aproxima de 100%. Os projetos Albrás-Alunorte, ligados a Carajás, devem figurar entre os primeiros beneficiários dessa nova tendência.