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  Ainda o PMDB e seu novo plano

Jornal Diário da Manhã , quinta-feira 1º de setembro de 1983


Análise sobre o programa econômico do PMDB, publicada no Diário da Manhã de domingo último, mereceu cavalheirescos reparos, já na terça-feira, do editor de Política deste jornal, Marco Antônio Coelho. Concordando com nossas conclusões, de que o programa do PMDB não pode ser chamado de “alternativo”, pois na verdade pede a manutenção do “modelo econômico” atual do ministro Delfim Netto, o artigo de Marco Antônio Coelho considera porém que a análise é equivocada, do ponto de vista político.

No seu raciocínio, o PMDB teria sido “tático”, não propondo grandes mudanças na área econômica, por dois motivos básicos: os grupos sociais beneficiários do atual modelo, embora defendendo correções de rumos na política econômica, ainda resistem a mudanças substanciais, que beneficiem as massas; por outro lado, essas mesmas massas, sacrificadas nos últimos anos, ainda não estariam preparadas para um “confronto áspero” com o regime autoritário. Resultado: o PMDB teria sido forçado, a partir dessa análise política, a propor apenas uma pauta de sugestões que abrissem o caminho ao diálogo com o governo – num rumo, está implícito, que não provocaria reações dos setores que têm sido “sócios do poder”.

Admitindo-se que tenha sido esse o raciocínio “político” dos formuladores do programa do PMDB, por isso mesmo caberia questioná-lo – in totum. Afinal, é evidente que as massas populares não desejam um “confronto áspero” com o “poder autoritário”. Com a abertura, as massas populares desejam um “canal de comunicação”, ou um “canal de representação”, junto ao poder central – e, salvo engano, esse papel caberia aos partidos de oposição, que são, pelos votos que receberam, os delegados e porta-vozes dessas massas. Pressupor manutenção depois das eleições, as massas pobres continuam a não contar no jogo de forças políticas (daí ser necessário “aliar-se” aos grupos privilegiados), é negar a validade da própria abertura, das eleições e dos partidos de oposição.

Pelo nosso entender, a posição assumida pelo PMDB tem raízes muito mais profundas, como procuramos demonstrar na análise de domingo. Seus economistas e seus principais líderes do Sudeste estiveram sempre, pelos mais nobres propósitos, engajados no chamado “processo de desenvolvimento industrial” do País. Acreditam que o essencial é o Brasil tornar-se uma potência industrial, mesmo que – como escreveu há poucos meses, na Folha de São Paulo, um dos mais importantes desses economistas –, para isso, os 40 milhões de marginalizados enfrentem mais uma ou duas décadas de miséria. É nessa convicção, e não em uma “motivação tática”, que se deve procurar uma explicação para a tomada de posição do PMDB em favor do modelo atual, em lugar de propor um modelo alternativo plenamente viável.



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