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  "Libor" volta a cair e cria condições mais favoráveis ao Brasil

Jornal Folha de S.Paulo , sábado 8 de maio de 1982


A taxa de juros cobrada nos empréstimos internacionais ("libor") voltou a cair ontem, em Londres, atingindo o nível médio pouco abaixo de 14,5%, contra 14,75% na véspera, e 15% anteriores. O declínio da "libor" beneficia o Brasil sob três aspectos: reduz o volume de juros pagos ao Exterior e beneficia as exportações (ajudando a conter o ritmo de crescimento da dívida externa) e pode contribuir para leve redução nas taxas de juros cobradas também dentro do Brasil nos empréstimos dos bancos às empresas. Em última análise, a queda cria condições mais favoráveis para a recuperação da economia brasileira, já que seu desaquecimento foi decidido como forma de enfrentar o problema do endividamento externo — e reforçado pelos altos juros cobrados no País.

Segundo os analistas, a cada redução de 1% na "libor" o Brasil economizaria algo entre 500 e 600 milhões de dólares. Assim, como os técnicos do governo previam, no começo do ano, que a "libor" média do ano chegaria a 16,5%, logo surgem cálculos tentando mostrar que o nível atual, de 14,5%, representaria uma economia de 1 a 1,2 bilhão de dólares (equivalente aos 2% de queda), para o Brasil, este ano. Por enquanto, a vantagem não seria assim tão grande. Por quê? Os empréstimos internacionais tomados pelo Brasil sob o sistema de "taxas flutuantes" (e que representariam de 70 a 80% da dívida total, superior a 70 bilhões de dólares), têm seus juros alterados a cada seis meses, isto é, um financiamento contratado a seis meses a 16%, passaria agora a pagar os 14,5%.

Os demais empréstimos, no entanto, continuarão com as mesmas taxas. Isso significa que a "taxa média" do ano, sobre a dívida total, — por enquanto — continuará mais próxima dos 16,5% previstos pelos técnicos: ainda em fevereiro último, a "libor" foi marcada por um período de alta, e chegou a 16,9% no dia 15, contra 15,6% vigentes no final de janeiro, e foi esse o nível cobrado nos contratos então assinados pelo Brasil.

Do ponto de vista das exportações, a queda das taxas de juros, principalmente nos EUA (prevista para breve) tende a reforçar as cotações dos produtos agrícolas e, como fenômeno mais amplo, favorecer a recuperação da economia mundial, ampliando o comércio internacional.

A queda dos juros internos, finalmente, depende dos juros externos, porém menos do que se pensa. Isto porque o custo de um financiamento externo (que influencia os juros internos) é composto pela taxa de juros internacional (mais outras despesas, como comissão dos bancos etc.) multiplicada pela correção cambial, isto é, a desvalorização do cruzeiro. Como a correção cambial, na casa dos 90%, é multas vezes superior à "libor" (na casa dos 14%), a redução é mínima.



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