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  Os horizontes do próximo ano

Jornal Diário da Manhã , quinta-feira 22 de dezembro de 1983


A crise econômica internacional de 1982 e primeiro semestre de 1983 era uma verdadeira avalanche descendo montanha abaixo, com uma série de problemas simultâneos realimentando-se em cadeia: a recessão norte-americana provocava a queda de metais e produtos agrícolas exportados pelos países em desenvolvimento; os países em desenvolvimento, com esse declínio nas exportações, ficavam sem dólares para pagar suas dívidas e reduziam suas importações, com nova queda das vendas dos países fornecedores; os próprios países da Opep, que nos últimos anos vinham realizando importações maciças de máquinas, equipamentos, alimentos tanto dos países ricos como dos países em desenvolvimento, também começaram a enfrentar problemas, por causa da retração no consumo de petróleo — e assim sucessivamente. A economia mundial rolava ladeira abaixo, parecendo encaminhar-se para o caos total.

Os alicerces para que a situação começasse a mudar — sem que os analistas econômicos o percebessem — foram lançados no começo do segundo semestre do ano passado, quando finalmente o governo dos EUA deu início à redução das taxas de juros, cuja elevação provocara a recessão. Já no último trimestre de 1982, a economia norte-americana deu mostras de recuperação, e os negócios mundiais começaram a "esquentar" lenta, mas progressivamente. Com isso, a economia mundial parou de rolar ladeira abaixo, e começou um processo de "subida" progressiva. As exportações dos países em desenvolvimento começaram a crescer (8% para o Brasil, até outubro), as exportações dos países petrolíferos também, e o caos começou a ficar afastado.

Ao mesmo tempo, os acordos para renegociação da dívida entre países em desenvolvimento e banqueiros, começaram a dar maior tranquilidade ao mercado financeiro internacional, contribuindo para a melhora do clima nos negócios.

Dados divulgados esta semana na Europa mostram ter havido substancial melhora mesmo na situação dos países endividados, ou "encalacrados", nos nove primeiros meses do ano. América Latina, Ásia, África e Leste Europeu têm hoje créditos já concedidos pelos bancos e não sacados pelos países (o que significa uma espécie de reserva): somente no caso do México, esses créditos montam a US$ 700 milhões. Além disso, os depósitos feitos pelos países endividados junto aos bancos do exterior (e que valem como reservas) também subiram substancialmente; no caso do México, já estão em US$ 13,3 bilhões. Finalmente, em alguns casos, houve mesmo redução no nível da dívida externa: os países do Leste Europeu cortaram seus débitos em 25% ou US$ 12 bilhões, de 1981 para 1983.

Como a economia norte-americana continuou a dar "saltos" no último trimestre deste ano, esse desanuviamento do quadro internacional continuou a avançar. Por tudo isso, as perspectivas para 1984 são substancialmente melhores do que em 1983. Inclusive para o Brasil.



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