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Jornal Diário da Manhã , quarta-feira 7 de setembro de 1983


RECESSÃO INUTIL- o ministro Delfim Netto quer achatar os salários, além de já conter o crédito e os gastos do governo para, com isso, reduzir o consumo a pretexto de conter a inflação, dentro do raciocínio de que, com a queda das vendas (recessão), as empresas seriam forçadas a reduzir preços. Já em si discutível, o caminho recessivo acaba sendo um sacrifício inútil diante das contradições do governo. Agora, o CIP - Conselho Interministerial de Preços, concedeu um aumento de 9,8% para os automóveis, quando o reajuste máximo, de 80% da correção monetária, seria de apenas 6,8%. Quer dizer, faz-se uma recessão para derrubar a inflação – e realimenta-se a inflação através de decisões do CIP.

SUPERAVIT E EMPREGO – o saldo positivo da balança comercial em agosto, quase na casa dos US $ 700 milhões, comprova outra vez que a recuperação da economia mundial está beneficiando as exportações brasileiras. O superávit não se deveu a uma queda nas importações, e sim ao aumento das vendas ao exterior. Uma conseqüência, ainda não lembrada, do persistente avanço das exportações: o nível de emprego deve melhorar, sobretudo no parque industrial do Sul – Sudeste.

ARGENTINA E FMI – os economistas insistem em dizer que a política do FMI é “sempre” recessiva, ao recomendar a contenção das importações como forma de melhorar a situação da balança comercial. No caso da Argentina, do México e do Chile, isso nunca foi verdade: esses países, de 1979 a 1981, triplicaram suas importações – “reabrindo” o mercado das indústrias locais e ampliando incrivelmente o desemprego.

Assim, ao adotarem a política de “aperto nas importações”, esses paises, (ao contrário do Brasil, que importa peças, componentes e matérias-primas para sua indústria) até beneficiaram suas indústrias. Na Argentina, a produção industrial cresceu 14,5% no segundo trimestre deste ano, com o acordo do FMI e tudo.

POR QUE NÃO IMPORTAR? – o FMI quer que o Brasil reduza a inflação. O Brasil está caminhando para conseguir um superávit comercial superior às metas comprometidas com o FMI. Por que não gastar esses dólares “extras”, inesperados, com a importação dos produtos agrícolas que estão pressionando a inflação – que o FMI deseja ver reduzida?



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