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Jornal Diário da Manhã , quarta-feira 20 de setembro de 1989


PRESSÃO DE REAGAN – Desde sua posse, o presidente norte-americano reativou as teses do chamado “pensamento econômico liberal”, segundo as quais quanto menos controles os governos criarem sobre a economia, melhor ela funcionará. Ou, mais precisamente: se os governos dos países em desenvolvimento, como o Brasil, não criarem leis, “controles”, para disciplinar o capital estrangeiro, haverá prosperidade e fartura no mundo. Assim, quando o Brasil dificulta a abertura de filiais de bancos estrangeiros, – diz Reagan – está contrariando a “liberdade de iniciativa”, o “mercado” – e trazendo prejuízos à sua economia. Da mesma forma, quando o Brasil exige que filiais de multinacionais desenvolvam tecnologia aqui dentro, em lugar de importá-la da matriz, estará agindo contra os interesses da economia (“por que desenvolver aqui dentro o que existe lá fora, com gastos inúteis?”). O receituário “liberal”, em resumo, é uma cortina de fumaça para que países em desenvolvimento escancarem sua economia às multinacionais (mesmo que isso resulte, como resultou com o “milagre brasileiro”, em distorções e endividamento externo.) Reagan, no começo da última semana, resolveu deixar as sutilezas de lado. Em lugar de simplesmente “recomendar” que os países como o Brasil adotem um tratamento mais favorável ao capital multinacional, decidiu que os EUA vão exigir que essa orientação seja adotada. Os países que se “enquadrarem” terão apoio na renegociação de sua dívida externa. Os países que não se enquadrarem...

MANDA QUEM PODE – A legislação argentina sobre falências previa que, no caso de quebras de empresas, haveria prioridade no pagamento de débitos a trabalhadores, fornecedores, bancos locais e, por último, bancos estrangeiros que tivessem feito empréstimo a firma insolvente. Com o crescimento no número de falências na Argentina, por causa da recessão, os banqueiros internacionais exigiram que as leis fossem mudadas, para que eles passassem a gozar de prioridade no recebimento de dívidas. O governo argentino resistiu durante meses – mas, agora em agosto, mesmo após terem assinado acordos para refinanciar a dívida externa argentina, os bancos internacionais simplesmente “congelaram” a liberação dos empréstimos, numa autêntica chantagem. Na última semana, o governo argentino mudou a lei. Há uns três meses, o mesmo ocorrera com o Chile, que capitulou logo.



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