Jornal Folha de S.Paulo , sábado 16 de fevereiro de 1985
Os banqueiros internacionais não vão suspender a liberação dos empréstimos já contratados com o Brasil. Consultados pelo correspondente da Folha em Nova York, Paulo Francis, representantes dos bancos credores afirmaram ontem que não só manterão as linhas de crédito em vigor como liberarão uma parcela de US$ 375 milhões na data prevista nos acordos de 1982, isto é, em março.
Aparentemente, a decisão dos banqueiros é resultante de apoio lançado quinta-feira pelo diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, Jacques de Larosière, através de telex endereçado aos credores. Em sua mensagem, De Larosière admitiu que o Brasil já “estourou” até as metas previstas para 1985 na sétima carta de intenções, ainda em discussão, mas deu a entender que o FMI exigirá medidas duras, por parte do governo brasileiro, para controlar as emissões de dinheiro (base monetária) e combater a inflação.
Essas exigências, segundo análise do diretor de economia da Folha, Aloysio Biondi, na verdade já começaram a ser atendidas pelo governo brasileiro, com novo “arrocho” sobre a economia. Para evitar emissões, ou mesmo para retirar dinheiro de circulação, o governo adotou um remédio amargo, há dez dias: cortou em 80% a liberação de recursos do Tesouro para pagamento de gastos ou realização de despesas, por todos os ministérios, além de ter limitado a concessão de crédito por parte dos bancos oficiais. O arrocho monetário exigido pelo FMI explica também a falta de dinheiro para comercialização das novas safras, o que vem provocando protestos dos agricultores do Centro-sul do País.