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Jornal Diário da Manhã , terça-feira 27 de dezembro de 1983


SEM REVIRAVOLTA – Em 1977, desencadeou-se no País violenta campanha contra a "estatização da economia", brasileira, liderada por entidades empresariais e políticas, ligadas, sobretudo, à chamada ala "internacionalista" do sistema (que defende a abertura ainda maior da economia brasileira ao capital estrangeiro), de que o ex-ministro Roberto Campos é o nome mais badalado. Como resultado desta campanha, o governo Geisel proibiu as empresas estatais de aumentarem seu capital através da venda (subscrição) de ações novas, aceitando a argumentação de que, com a medida, os investidores passariam a comprar ações das empresas privadas, fortalecendo-as. Conseqüência dessa decisão: sem poder aumentar seu capital para realizar investimentos, as siderúrgicas estatais, a Eletrobrás e a própria Petrobras tiveram que apelar maciçamente para empréstimos – endividando-se. Nasceram daí as dívidas externa e interna das estatais, com déficits que acabam sendo cobertos pelo Tesouro, gerando-se inflação. A última reunião do Conselho Monetário Nacional pode ter representado o início de uma reviravolta nessa política suicida.

AINDA É POUCO – Obrigado pelo FMI a reduzir o déficit público, o governo brasileiro vinha preferindo até agora cortar os investimentos e outros gastos das estatais (deve-se lembrar que o Decreto 2.065 foi planejado exatamente para achatar os gastos com salários das estatais). O problema estava, assim, sendo atacado superficialmente. Agora, através do CMN, decidiu-se permitir que o Banco do Brasil emita 3,0 bilhões de ações novas, que serão vendidas por cerca de 150 bilhões de cruzeiros para reduzir o déficit das estatais, através de complicadas operações que não cabe dissecar aqui. A mudança é ótima. Mas precisa ser estendida rapidamente às demais empresas estatais. Será essa uma forma de reduzir o déficit público sem cortar investimentos. Reduzindo-se a recessão.

AINDA BEM – Pesquisa realizada pela imprensa paulista mostra que apenas um terço dos empresariais acredita que 1984 será pior do que 1983. Já é um dado positivo: como se sabe, quanto maior o pessimismo empresarial maior o declínio nos negócios (ninguém investe, todas reduzem encomendas etc.) e vice-versa.



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