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  Os preços não deverão subir no Natal

Jornal Folha de S.Paulo , segunda-feira 16 de novembro de 1981


As vendas de Natal deste ano não servirão de pretexto para a remarcação de preços das mercadorias à venda. A Informação parte da própria Federação do Comércio do Estado de São Paulo, baseada em uma pesquisa feita entre dirigentes de cadeias de lojas e supermercados, vendedoras de eletrodomésticos, alimentos, calçados e vestuário em geral.

A esta altura, diz Antônio Carlos Borges, assessor econômico da entidade, o comércio já fez seus pedidos à indústria ou formou seus estoques para as vendas de final de ano. Tem-se, portanto, uma noção exata da evolução dos preços das mercadorias. O fato é que a indústria não modificou o comportamento adotado nos últimos meses, quando já vinha reduzindo gradativamente as remarcações de preços. Não há justificativa, portanto, para altas acentuadas, a nível do consumidor, nas próximas semanas.

A conclusão das consultas realizadas pela Federação do Comércio afasta, por ora, os temores de que o final do ano fosse marcado por uma "onda de remarcações" – elevando novamente as taxas da Inflação. Segundo algumas análises pessimistas, vários fatores contribuíram para reforçar essa tendência, com destaque para dois deles. Em primeiro lugar, o provável crescimento da demanda (por força do 13º salário, do desconto menor do Imposto de Renda etc.), com o consumidor voltando a comprar. Em segundo – e como decorrência do primeiro – , as empresas poderiam tentar aproveitar a "reação do mercado" para aumentar sua margem de lucro, como forma de compensar os maus resultados obtidos nos meses anteriores.

O possível efeito desses dois fatores, segundo os empresários ouvidos pela Federação, está sendo neutralizado pela presença de outros, que desencorajam as remarcações. Segundo Borges, o comércio acredita em aumento nas vendas no final deste ano, mas não mantém expectativas de grandes avanços em relação aos meses anteriores. Por isso mesmo, adotou uma política cautelosa de formação de estoques (tendência reforçada pelo alto nível das taxas de juros, que encarecem a estocagem). Vale dizer, o volume de encomendas à indústria foi parcimonioso, o que desestimulou eventuais remarcações pelos fornecedores.

Além disso, explica o assessor da Federação, a própria Indústria de bens de consumo vem operando com elevado nível de ociosidade – e de estoques, em algumas áreas. A ela interessa, assim, uma política de preços que não traga o risco de afugentar o consumidor, já que, ao menos teoricamente, o melhor aproveitamento da capacidade das fábricas pode até resultar em redução dos custos unitários de produção, para os fabricantes.

Finalmente, as análises dos empresários apontam um outro obstáculo à remarcação de preços: o novo comportamento do consumidor brasileiro, esboçado em 1980 e claramente consolidado no transcorrer de 1981:

— As pesquisas e levantamentos realizados por entidades de classe, agências de publicidade, empresas, confirmam plenamente que o consumidor brasileiro aumentou o grau de racionalidade em suas decisões de compra. Hoje, há clara preocupação com os preços, isto é, com a defesa da renda do consumidor. Altas de preços provocam reações negativas imediatas, com queda nas vendas.

Em apenas duas áreas a tendência à estabilidade de preços não seria tão nítida, segundo o levantamento da Federação. Os produtos natalinos importados terão custos fortemente mais elevados do que em 80, por força das desvalorizações do cruzeiro.

Já em relação aos artigos de vestuário, as perspectivas são indefinidas, até o momento. A indústria têxtil vem enfrentando violentas oscilações de custos, dificultando a fixação de preços, pelas fábricas, ao ponto de terem ocorrido casos em que o comerciante é forçado a fazer suas encomendas sem ter conhecimento dos preços que virá a pagar: eles somente são fixados na data da entrega.

— Tirando-se esses dois casos, frisa Borges, a tendência é de estabilidade para os preços, excetuando-se, é óbvio, os reajustes normais, decorrentes de elevações de custos provocadas pela própria Inflação.



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