Jornal Diário da Manhã , quarta-feira 19 de outubro de 1983
EM QUEDA – As notícias de queda de preços, em que o consumidor brasileiro tem dificuldade em acreditar, ficarão cada vez mais freqüentes daqui para a frente (motivo pelo qual as famílias devem evitar formar “estoques” em casa, pois pagarão mais barato se adiarem suas compras). Depois da batata (queda de 30% nos preços), feijão carioquinha (menos 22%) e soja (menos 10%), chegou a vez do óleo de soja. O produto enlatado caiu mais 10% no atacado com as fábricas cobrando Cr$ 15.500,00 pela caixa de 20 latas, contra Cr$ 17.500,00 no começo de outubro. E o óleo bruto também recuou em 8%, de Cr$ 825 para Cr$ 760 o quilo. Como esse preço ainda está muito acima do mercado internacional (CR$ 555,00 o quilo em Chicago) novas quedas deverão ocorrer.
MAIS FOLGA – A Petrobrás, batendo recordes sucessivos de produção, está extraindo cerca de 370 mil barris de petróleo por dia, contra 320 mil barris em média, no primeiro semestre deste ano. Com isso, as importações de petróleo já caíram de 625 mil barris/dia para 575 mil barris/dia. Ao preço médio de Cr$ 27,00 por barril, o Brasil, com a produção desses 50 mil barris, está economizando US$ 1,35 milhão por dia, ou US$ 40 milhões por mês. O aumento na produção explica, em parte, que o Banco Central do Brasil ainda venha tendo dólares para pagar compromissos mais urgentes, apesar da suspensão dos empréstimos dos banqueiros internacionais, praticamente desde maio.
MENOS DOR DE CABEÇA – O principal drama dos países endividados, desde 82, tem sido a dívida de curto prazo, de empréstimos a serem pagos em menos de um ano. No caso do Brasil, ela chegava a US$ 20 bilhões, em meados do ano passado – e grande parte dela, o que era gravíssimo, representada por dólares tomados “emprestados” no próprio “open-market” norte-americano, e que precisavam, portanto, ser devolvidos (e cobertos com novos “empréstimos”) em poucos dias, ou até de um dia para o outro. A dívida de curto prazo já vem sendo substituída por empréstimos de prazo mais longo: no final de 1982, ela caiu, segundo o Banco Central, para US$ 13,5 bilhões; em março deste ano, houve novo recuo, para US$ 10,8 bilhões. Quanto menor a dívida de curto prazo, menor a necessidade de novas negociações com os banqueiros, em 1984.