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Jornal Diário da Manhã , quarta-feira 28 de setembro de 1983


A dívida externa – Anteontem, segunda-feira, os jornais deram em manchete a informação que o Brasil só concluiria em outubro as conversações com os banqueiros internacionais e com o FMI. Ontem mesmo, no começo da noite, surgia a informação oficial do acordo com os credores – e confirmando análises feitas aqui, repetidas vezes, de que ele viria muito mais cedo do que se afirmava.

Mas o “catastrofismo” brasileiro, em matéria de análise econômica, não bate em retirada. Já que tiveram que “engolir” a novidade do acordo, surgiram logo, nas análises, as afirmações de que o Brasil precisava de U$ 9,2 bilhões para 1984 e “só” recebeu U$ 6,5 bilhões, dos banqueiros.

Não é nada disso. Em 1984, o Brasil deverá pagar U$ 11 bilhões em juros, mais U$ 4,5 bilhões em fretes, seguros, gastos de turismo, remessas de lucros etc. Isto é, as saídas de dólares representarão U$ 15,5 bilhões. E as entradas? Elas são representadas pelo salto da balança comercial, isto é, exportações menos importações, e que deverá chegar o (superávit) a U$ 9 bilhões. Tirando-se U$ 9 bilhões de U$ 15,5 bilhões, tem-se um “rombo” de U$ 6,5 bilhões – que é exatamente quanto o Brasil precisaria em 1984, de empréstimos novos dos banqueiros. E essa cifra ele conseguiu.

Mas, além disso, o Brasil já tem outros empréstimos assegurados: U$ 1,2 bilhão do Banco Mundial, U$ 2,5 bilhões do Eximbank (banco financiador de exportações de países ricos) dos EUA e do Japão, além de U$ 1,4 bilhão de uma parcela do empréstimo acertado com o Fundo Monetário este ano. São U$ 5,1 bilhões “extras”, e que o Brasil deverá “guardar”, como reservas (ou que servirão para liquidar empréstimos de curtíssimo prazo, ainda pendentes, caso os credores não queiram renová-los à época do vencimento).

Por que o Brasil tentou conseguir U$ 9,2 bilhões com os bancos? Logicamente, se conseguisse quase U$ 3,0 bilhões a mais, o Brasil poderia liquidar esses empréstimos de curto prazo, imediatamente, e ainda ficar com reservas. O “não” dos banqueiros pode ter uma explicação: com tanta onda em torno de uma possível moratória, como houve esse ano, eles certamente tiveram medo de permitir que o Brasil formasse reservas expressivas. Por quê? Por que aí, em 1984, Brasília poderia mesmo decretar a moratória unilateral, de uma hora para outra, já que teria reservas para pagar as importações mais urgentes.



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