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  Os eletrodomésticos mostram recuperação

Jornal Folha de S.Paulo , segunda-feira 2 de novembro de 1981


Volume de vendas desmente crise anunciada pela Fiesp

A indústria eletroeletrônica foi recentemente apontada, por dirigentes da Fiesp, como um dos setores em que poderiam ocorrer novas demissões em massa, até o fim do ano, porque a queda na produção e nas vendas ainda não teria atingido o "fundo do poço". No entanto, dados estatísticos da Abinee, entidade empresarial do setor, fornecem um quadro surpreendente, contrastante com o tom pessimista que tem marcado os pronunciamentos sobre o desempenho do setor. Segundo essas estatísticas, já no primeiro semestre o "fundo do poço" fora superado (v. tabela), ao menos em relação aos aparelhos eletroeletrônicos domésticos. Após um primeiro trimestre de vendas baixas (da indústria ao comércio), os resultados do segundo trimestre já registravam saltos para nada menos de cinco produtos, sobre um total de sete: os televisores a cores venderam 48% a mais, resultado alcançado também por fonógrafos e equipamentos de som, com a venda de mais 120 mil unidades, no primeiro caso; e mais 90 mil unidades, no segundo. A venda de rádios transistorizados chegava a mais de 1,1 milhão de unidades, com quase 30% de avanço sobre o primeiro trimestre, e os condicionadores de ar cresciam 15%. Os únicos resultados negativos no segundo trimestre couberam a refrigeradores, com menos 3% (na verdade, uma oscilação normal, não podendo ser considerada uma "queda"), e aos auto-rádios, com menos 15% — por força, obviamente, da crise da indústria automobilística. A tendência ao aumento nas vendas — e, presumivelmente, na produção — se manteve no terceiro trimestre, segundo dados ainda provisórios da Abinee. Embora eles indiquem a possibilidade de um recuo, em relação ao segundo trimestre, para os eletrônico-domésticos, houve avanço para os aparelhos eletrodomésticos portáteis (15%), condicionadores de ar (12%) e fogões (20%), registrando-se oscilação negativa nessa área apenas para os refrigeradores e, ainda assim, insignificante (2%).

PESSIMISMO "VELHO"

Mesmo ante esses dados, empresários do setor têm afirmado que o balanço do ano será negativo para as empresas, ainda que as vendas acentuem sua recuperação no último trimestre do ano, com a aproximação do Natal e a redução do Imposto de Renda cobrado na fonte, a partir do mês passado (salário a ser pago dia 10 deste mês). Esse pessimismo, no entanto, se baseia na comparação dos resultados de 1981 com 1980, ano em que a economia e a demanda por bens de consumo duráveis estavam superaquecidas, por fatores bem conhecidos. Como houve grande queda no primeiro trimestre, em relação a 1980, mesmo um aumento de vendas nos últimos meses do ano não será suficiente para compensar aquele recuo — em relação ao ano passado. O fato porém é que o "fundo do poço, em termos de unidades vendidas e, portanto, produzidas, numa etapa seguinte, foi atingido no período de janeiro a março, com a produção voltando a crescer já no segundo trimestre. Aliás, uma comparação entre os resultados de 81 e de 79, isto é, deixando-se de lado as grandes vendas de 80 na fase de superaquecimento mostra que há também exagero nas afirmações empresariais, segundo as quais a produção teria caído e se estabilizado num nível multo inferior ao "normal", e que seria o "novo (sic) patamar" da economia e da demanda. De 81 para 79, mesmo com a queda em relação a 80, as vendas no primeiro semestre (v. tabela) revelam avanço de quase 50% para a TV a cores, roubando inclusive um pouco do mercado dos televisores preto e branco (menos 5% no semestre); avanço de 20% para rádios transistorizados e em torno de 10% para condicionadores de ar e refrigeradores. Há queda apenas para fonógrafos (menos 16%) e auto-rádios, com menos 34% — pelos motivos vistos. Detalhe final: todos esses dados se referem às vendas da indústria ao comércio, no mercado interno. As exportações do setor, que representam cerca de 10% do valor de sua produção, cresceram também 40% este ano, devendo chegar a 1,1 bilhão de dólares até o final do ano. Um reforço à produção. E ao emprego?

VOLTA AOS PADRÕES NORMAIS

(Vendas em 81 e 79, quando a economia não estava aquecida como em 80)

Primeiro semestre 1979 Mil unidades 1981 Mil unidades Variação % TV a cores 430 633 + 47% TV preto e branco 668 639 - 5% Condicionadores de ar 90 99 + 10% Refrigeradores 763 840 + 11% Rádios transistorizados 1.719 2.057 + 20% Auto—rádios 449 300 - 34% Fonógrafos 536 452 - 16% Fonte dos dados brutos: Abinee

FUNDO DO POÇO PASSOU LOGO

(Vendas no primeiro e segundo trimestres de 1981)

AUMENTARAM SUAS VENDAS I.º trimestre (mil unidades) 2.º trimestre (mil unidades) Variação % TV a cores 255 378 + 48% TV preto e branco 309 330 + 10% Rádios Transistorizados 907 1.150 + 27% Fonógrafos e similares 182 270 + 48% Condicionares de ar 46 53 + 15% REDUZIRAM SUAS VENDAS Refrigeradores 426 414 - 3% Auto-rádios 162 138 - 15% Fonte dos dados brutos: Abinee



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