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Jornal Diário da Manhã , sábado 8 de outubro de 1983


ESMAGAMENTO SALARIAL – o INPC do mês de setembro, segundo o IBGE, foi de 9,52%, no entanto, segundo o Dieese, de São Paulo, o índice de custo de vida da classe trabalhadora foi de 15,2%, somente em setembro, número que parece mais perto da realidade, já que índices oficiais do Paraná acusam uma alta do custo de vida na casa dos 17%, no Estado. Quer dizer: o INPC do IBGE já esta sendo altamente “expurgado”. No semestre, o INPC do IBGE ficou em 64,2%, para o Dieese, o índice foi de 72,8%, enquanto a inflação medida pela Fundação Getulio Vargas, chegou a 84,1%. Há assim, entre o INPC do IBGE e o índice do Dieese, uma diferença de 8,6 pontos percentuais, enquanto em comparação com a “inflação da FGV” a diferença é ainda maior: 20 pontos percentuais. Conclusão: o assalariado já vem enfrentando violento achatamento salarial, via expurgo do INPC. E esse expurgo é ampliado com a vigência do decreto 2.045, que limitou os reajustes salariais a 80% do INPC: sobre o INPC expurgado do IBGE, os aumentos semestrais serão de 51,4%, isto é, 13,1 pontos percentuais abaixo do próprio INPC; 21,4 pontos percentuais abaixo do índice do Dieese, e 33,3 pontos percentuais abaixo dos índices de inflação da FGV.

META CUMPRIDA – O déficit do setor público, mesmo sem o 2.045, está sendo contido dentro das exigências do FMI, este ano. Até setembro, ele deveria situar-se em Cr$ 14,9 trilhões. Ficou um pouco abaixo, até graças à contenção dos gastos do governo e aumento na arrecadação acima das previsões. Com saldo, o Tesouro cobriu “rombos” de Cr$ 1,5 trilhão, ou Cr$ 10 bilhões acima das previsões.

METAL VIÁVEL – o déficit do setor público, nas contas do FMI, engloba também os “rombos” do Tesouro dos Estados e Municípios, além das estatais. Nos primeiros meses do ano, as perspectivas para essas áreas eram sombrias. O recente aumento na arrecadação do ICM melhorou a situação dos governos locais. Quanto às estatais, o principal déficit vinha ocorrendo na área das siderúrgicas, esmagadas por uma dívida externa de US$ 7 bilhões e pelo “achatamento” de seus preços, adotado pelo Ministro Delfim Netto. Seu déficit tende a reduzir-se, com a decisão de adotar aumentos realistas para os preços do aço, que passarão a ser aplicados todos os meses, e não apenas cada três meses.



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