Jornal Diário Popular , dezembro de 1999
Quinta-feira, antevéspera do Natal, dia de paradeira nos negócios. Mesmo assim, o Banco Central foi forçado a entrar no mercado, vendendo dólares, para segurar as cotações do Real. A realidade derruba as declarações otimistas e mentirosas do governo e seus aliados.
Reservas caem – Há duas semanas, as reservas em dólares do Brasil caíram de US$ 41,52 bilhões para US$ 38,8 bilhões. O diretor do BC, Daniel Gleizer, explicou que a queda não preocupava, porque tinha sido provocada por um pagamento de US$ 3,17 bilhões, que o Brasil devolveu aos bancos que participaram do “pacote” de socorro acertado com o FMI há um ano. A imprensa engoliu a explicação. No entanto, bastava fazer uma ridícula conta aritmética para ver que a queda das reservas naquele dia foi de US$ 3,44 bilhões, isto é, US$270 milhões acima dos US$3,17 bilhões citados por Gleizer. Dólar saindo...
Exportações – Um técnico da Camex, órgão criado pelo governo para dar apoio às exportações, repete a ladainha de que com a desvalorização cambial vários setores industriais começaram a vender seus produtos para o Exterior.
Na linguagem entojada dos técnicos, ele diz que está havendo uma “mudança no perfil do exportador brasileiro”. Arghhhhhh. A “novidade” foi para as manchetes, enganando a opinião pública. A verdade? Os próprios dados divulgados pelo técnico mostram que, de 59 setores exportadores ligados à indústria e agricultura, nada menos de 42 apresentaram desempenho negativo, isto é, queda nas exportações este ano. E, dos 17 que conseguiram exportar mais, só quatro possam ser considerados como estreantes ou novatos, a saber, frutas, madeira industrializada, sucos e móveis. E o valor de suas vendas ainda é ridículo.
Chuvarada – Institutos especializados, previam estiagem na Primavera, época de plantio no Centro-Sul, e chuvas torrenciais no Verão. Está tudo transcorrendo de acordo com esses prognósticos (e basta ver as inundações na Venezuela ou as tempestades na França para concluir que 2000 será um ano de desastres climáticos). Já se conhecem os primeiros efeitos da seca a produção agrícola do Paraná vai sofrer queda de 8% em relação ás estimativas – por enquanto... Novos estragos em todo o País serão trazidos pelas chuvaradas. O governo, repita-se, não tem estoques. O Brasil vai importar mais e exportar menos produtos agrícolas no ano 2000. Ridiculamente, governo e os bank boys, porta-vozes dos banqueiros, insistem em previsões de grande saldo positivo, isto é, exportações maiores que as importações, na balança comercial do próximo ano. A prevista “sobra dólares” apreciável é outra mentira.
Por tudo isso, o dólar teima em subir, apesar das manobras do Banco Central. E o dólar em alta significa mais inflação. A propósito, ou by the way, como diriam os bank boys, a cesta básica já subiu mais 4% em dezembro. E os salários...