Jornal Diário Popular , segunda-feira 4 de outubro de 1999
Eles são mesmo umas gracinhas. Olhe bem: agora, você vê os homens do FMI, do Banco Mundial, do governo Clinton, todos a dizerem que tudo que eles mandaram governos submissos como o do Brasil fazerem com sua economia estava errado. Você não está morrendo de rir com essa anedota histórica, que foi a tal da “globalização” e “abertura de mercado”? Ahhh, você então não tem senso de humor. Olha o que diz o economista John Williamson, considerado o pai do plano para adotar o tal “modelo neoliberal” na América Latina, um programa também conhecido como “Consenso de Washington”. As “reformas” que têm roubado os direitos de milhões de trabalhadores eram mesmo necessárias? Ahhh, diz o anjinho Williamson em entrevista ao jornalista Fernando Canzian, “eu nunca pretendi... que os países fizessem reformas por todos os lados”. Privatizações? “Ahhh, seus benefícios dependem muito da maneira como elas são realizadas. Muitas foram altamente benéficas, outras nem tanto”. Liberdade para as multinacionais e os capitais estrangeiros? Atenção, atenção ao que Williamson diz: essa liberdade para os “capitais também foi prematura, com a atração de fortes investimentos de curto prazo. Essas duas coisas em particular estão por trás da crise que o Brasil enfrenta hoje”. Não é de matar de rir? Não. Você tem razão: é de chorar de raiva.
Essa política destruiu o País chamado Brasil. Criou milhões de desempregados, quebrou milhares de empresas, destruiu a agricultura, aumentou a fome e a mortalidade. Quebrou o Tesouro. Pior ainda: desnacionalizou completamente a economia, comprometendo o futuro, com a venda de empresas públicas ou privadas a grupos estrangeiros a preços de banana. Uma desnacionalização que compromete o próprio futuro, repita-se, porque significa que multinacionais passarão a remeter bilhões de dólares para suas matrizes para todo o sempre, “sangrando” o povo brasileiro. Fomos tratados como palhaços, imbecis de soltavam foguetes para políticas que nos transformavam em colônias. E continuamos sendo tratados com palhaços e imbecis pelos Williamsons, Camdessus, Clintons da vida, quando eles debochadamente dizem que foram mal entendidos, o ritmo podia ser outro, as reformas deveriam ser mais graduais, as privatizações melhor pensadas.
Estão nos fazendo de palhaços, sim, assumindo ares de anjo. Ora, ao longo de todos os últimos anos, FMI, Banco Mundial, governo Clinton, banqueiros, economistas famosos ridicularizavam as críticas das oposições e batiam palmas, diziam maravilhas das decisões do governo FHC. Estavam por trás delas. Agora que colocaram o Brasil de quatro, fingem que não têm nada com isso? Estão debochando. É nova enganação, para oferecer “ajuda” e roubar o pouco que restou a este País. É hora do Congresso Nacional impedir nova aliança entre o governo FHC e os assaltantes internacionais. Queremos o Brasil de volta.