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  De volta à terrinha

Jornal Diário Popular , sexta-feira 9 de junho de 2000


Após novas andanças pelo Exterior, o presidente Fernando Henrique Cardoso está de volta à terrinha que, teoricamente, governa. Dentro das previsões ajuizadas, não há nenhuma novidade otimista para dar-lhe as boas vindas e, quem sabe, motivá-lo a viajar menos:

Comércio - Após o fracasso do Dia das Mães, o movimento do comércio continua desanimador até mesmo para os shopping centers, que vinham avançando constantemente nos últimos anos, sobretudo porque sua freguesia tem renda mais alta. Segundo a Alshop, Associação dos Lojistas de Shoppings de São Paulo, “nem o frio e nem a aproximação do Dia dos Namorados fizeram o movimento melhorar. O consumo está fraco”. Uma realidade previsível, diante da falta de poder aquisitivo da população. Confirmando as queixas da Alshop, as estatísticas da Associação Comercial paulista mostram uma queda de nada menos de 17% nas consultas ao SCPC, considerado um termômetro das vendas a prazo, do dia 1º ao dia 4 deste mês, que já abrangeu o penúltimo fim de semana antes do Dia dos Namorados.

Despejos - Em abril, na comparação com março, o número de ações de despejo na Capital paulista cresceu l5%, de 2.350 para 2.710, somente por causa de falta de pagamento. Os outros tipos de ação para desocupação de imóvel cresceram nada menos de 29%.

Indústria - O IBGE e a grande imprensa fizeram imenso alarido, mais uma vez, com um pretenso crescimento da indústria de nada menos de 6,6% nos quatro primeiros meses do ano. A divulgação dos dados foi marcada por distorções: “deu preferência” ao resultado acumulado no quadrimestre, escondendo que o resultado de abril chegou a apenas 3,3%. O próprio IPEA, outro instituto de pesquisa do governo, considerou o resultado frustrante, já que a previsão oficial chegava aos 6%, o dobro do índice alcançado, além de os primeiros meses do ano passado terem sido fracos em conseqüência da crise do real. As previsões de crescimento de 4% para o PIB deverão ser revistas.

Dólar - O governo já havia rebaixado, de US$ 5 bilhões para US$ 4 bilhões, suas projeções de saldo positivo na balança comercial (exportações menos importações), que forneceria uma “sobra” de dólares para ajudar a pagar parte dos compromissos brasileiros com o Exterior. Com um resultado positivo de apenas US$ 500 milhões acumulados até maio, a balança trouxe nova surpresa negativa, na primeira semana de junho, com um saldo negativo de US$ 50 milhões - resultado que preocupa ainda mais, por ocorrer em um período tradicionalmente marcado por grandes exportações agrícolas e, portanto, com saldos positivos. Um cenário que aumenta as pressões contra o real.

Automóveis - A produção do setor atingiu 150 mil unidades em maio, o melhor resultado desde agosto de 1998, embora permaneça abaixo do “pico” de 180 mil alcançados naquele ano. Detalhe: a produção cresceu, mas o encalhe de estoques persiste. Nas revendedoras, elas são suficientes para 25 dias, contra a média tradicional de 10 dias.



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