[O Brasil de Aloysio Biondi Obra Vida Projeto
data
veiculo
tema
Palavra-chave
Voltar

  Faltou dizer

Jornal Diário da Manhã , sábado 1º de outubro de 1983


Moratória e confusão – Há poucos dias veio a notícia de que a Venezuela pedira moratória aos banqueiros internacionais. Logo surgiram análises segundo as quais até a outrora milionária potência petrolífera não estava conseguido pagar sua dívida externa não faltando quem perguntasse: “Se a Venezuela entra em moratória, porque o Brasil não faz o mesmo?”. Persiste a confusão em torno do tema: é preciso repetir que existe um tipo de moratória autorizada pelos banqueiros, de duração temporária, e que os países pedem enquanto estão renegociando sua dívida. Uma coisa muito diferente da moratória que tem sido sugerida ao governo brasileiro, no qual o Brasil romperia violentamente com o FMI e credores, declarando que não pagaria a sua dívida, e exigindo conversações para obter prazos (quinze, vinte anos) para a sua liquidação.

Venezuela e confusão – E a Venezuela está mesmo quebrada, a ponto de precisar pedir a moratória, ainda que temporária? Não. Sua dívida externa sempre foi muito baixa (mesmo assim, ela adotou um programa de austeridade, já no começo de 1982...). está na casa dos U$ 35 bilhões, uma ninharia, para um país que, graças às exportações de petróleo vinha tendo saldos (exportações menos importações) de U$ 7,0 a U$ 8,0 milhões todos os anos. Acontece que, como no caso do México, Caracas sempre preferiu tomar empréstimos a curtíssimo prazo, de apenas seis meses, renovando-os quando eles venciam porque, nesse caso, as taxas de juros internacionais são mais baixas. Quando surgiu a crise financeira internacional, no ano passado, os banco suspenderam a renovação desses empréstimos, para todos os países.

No caso da Venezuela o impacto foi dramático, pois metade de sua dívida externa, algo na casa de U$ 18 bilhões, era de empréstimos de curtíssimo prazo. Lógico que ela não poderia pagá-los, da noite para o dia: era preciso renegociar a dívida com os banqueiros. É o que o país vem fazendo, há meses. Só que os banqueiros querem que a Venezuela se submeta a um programa do FMI, e o governo Venezuela rejeita a imposição. Por isso vem pedindo moratórias sucessivas enquanto negocia com os credores. Por que eles não viram mesa e negam essa moratória? Acontece que a Venezuela tem uns U$ 10 bilhões de reservas. Se os banqueiros forçarem mão e, provocarem um rompimento de relações, o país não sofrerá nenhum problema para continuar importando e tocando normalmente sua economia. Só os bancos perderiam.



Acompanhar a vida do site RSS 2.0 | Mapa do site | Administração | SPIP Esta obra está licenciada sob uma Licença CreativCommons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil