[O Brasil de Aloysio Biondi Obra Vida Projeto
data
veiculo
tema
Palavra-chave
Voltar

  Faltou dizer

Jornal Diário da Manhã , domingo 27 de novembro de 1983


SOB CONTROLE – quando os banqueiros internacionais anunciaram, há quase dois meses, que concederiam US$ 6,5 bilhões de “empréstimos novos” ao Brasil em 1984, surgiram análises afirmando que esse volume de dinheiro seria insuficiente, e que o País teria que buscar novos créditos logo no começo do próximo ano. Segundo essas análises, o Brasil já estava com débitos atrasados, este ano, de US$ 4,1 bilhões, dos quais US$ 3,0 bilhões relativos a importação e juros, e US$ 1,1 bilhão devidos ao BIS, espécie de banco central dos bancos centrais de todo o mundo, com sede na Suíça.

Assim, os US$ 6,5 bilhões teriam que ser usados para pagar os US$ 4,2 bilhões atrasados e restariam apenas US$ 2,3 bilhões para atender aos compromissos do restante do ano – exigindo, evidentemente, nova maratona dos ministros brasileiros pelo exterior já no começo de 84. Os analistas estavam errados, embora seu equívoco tenha sido alimentado pelo próprio governo, que deveria ter vindo a público para esclarecer a questão, há muito tempo. Agora, com o acordo com o FMI, ficou claro que o Fundo vai entregar ao Brasil US$ 1,2 bilhão que já havia prometido para 1983, e que “congelara” porque o País não cumpriu as metas no primeiro trimestre deste ano.

Além disso, também os bancos internacionais privados vão entregar ao Brasil, US$ 2,0 bilhões de empréstimos igualmente prometidos para 1983, e que também haviam “congelado” por aquele mesmo motivo. Em resumo: o Brasil vai receber US$ 3,2 bilhões que haviam sido prometidos para este ano. Com isso, ficariam faltando apenas US$ 900 milhões para pagar os débitos vencidos e não pagos, Cr$ 4,1 bilhões, em 1983. Assim os US$ 6,5 bilhões, prometidos para 1984 são dinheiro “novo”, mesmo, para atender aos compromissos do próximo ano.

ENTRA O CLUBE – nem mesmo aquela diferença de US$ 900 milhões em atrasados deve ser “descontada” dos US$ 6,5 bilhões. Por quê? Porque no acordo com o Clube de Paris, como se sabe, foram renegociados US$ 3,8 bilhões das dívidas brasileiras, contra apenas US$ 2,3 bilhões pedidos pelo Brasil. E daí? Nessa diferença de US$ 1,5 bilhão estão incluídos débitos atrasados do Brasil para com empresas dos países integrantes do Clube, e que agora não precisarão pagar, pois foram refinanciados.

CONCLUSÃO DEFINITIVA: com os acordos, a dívida externa relativa a 1984 está realmente colocada sob controle.



Acompanhar a vida do site RSS 2.0 | Mapa do site | Administração | SPIP Esta obra está licenciada sob uma Licença CreativCommons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil