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  Agricultura e sabotagem contra FHC

Jornal Folha de S.Paulo , quinta-feira 3 de outubro de 1996


O presidente da República promete uma coisa, a equipe econômica faz outra.

Quase todas as semanas, o presidente FHC promete apoio firme à agricultura. Então, alguém precisa dizer-lhe que a equipe econômica está mantendo a mesma política de massacre que vitimou milhões de agricultores no ano passado e que representa autêntica sabotagem contra seu governo _e sórdido crime de lesa-pátria.

O presidente FHC está sendo iludido com números falsos sobre concessão de crédito e outros mecanismos de apoio aos produtores.

Numa política absolutamente cega de "controle do crédito" (que não existe para o "socorro aos bancos"), os bur(r)ocratas não estão liberando dinheiro para o plantio _e a época de semeadura para as principais culturas já está terminando, no Centro-Sul. Amostra eloqüente desse "arrocho" no crédito: em Alegrete, no Rio Grande do Sul, de 900 produtores de arroz associados à cooperativa regional, apenas 15 obtiveram empréstimos para plantar. Não há erro: são q-u-i-n-z-e, mesmo.

FMI sem culpa

É falso que o governo não pode dar apoio à agricultura por causa da "cartilha neoliberal", que prevê menor intervenção do Estado na economia.

No caso, nem o FMI nem os países ricos têm culpa. Em todo o mundo, os governos estão adotando intensas medidas de apoio aos agricultores, para aumentar a produção e aproveitar os altos preços resultantes da dramática queda nos estoques mundiais de cereais.

Há poucos dias, bastou um pequeno recuo nos preços do trigo para que a Comunidade Européia restabelecesse o pagamento de subsídios aos produtores _isto é, os governos pagarão a "diferença" aos produtores caso as cotações caiam abaixo de determinado nível.

Nos EUA, há algumas semanas, o governo Clinton criou novo tipo de seguro, que indenizará os agricultores, assegurando-lhes preços determinados e defendendo-os de manobras baixistas nas Bolsas e mercados internacionais. Apoio, apoio, apoio do Estado.

No Brasil, não há nem crédito para plantar. Nem garantia de preços, extinta pela equipe FHC/BNDES. Nem seguro contra a quebra de safras (o Proagro só paga aos bancos, não aos agricultores).

O massacre

Desde o ano passado, os preços mundiais já estavam em alta. Os agricultores brasileiros poderiam ter plantado mais, aumentado o nível de renda e emprego no interior, tirado a economia da recessão.

A equipe FHC/BNDES decidiu "esfriar" a agricultura. "Fechou" o crédito. E fez o inacreditável: reduziu os preços mínimos, para forçar a redução no plantio.

O contraste

Por causa do massacre na época do plantio em 1995, as colheitas de 1996 foram menores no Brasil. O produtor deixou de ganhar. A recessão se aprofundou. Estados e municípios deixaram de arrecadar. Para avaliar as perdas provocadas pela "política" da equipe FHC/BNDES: nos EUA, neste mesmo ano de 1996, a renda da agricultura vai crescer incríveis 48% e chegar a US$ 110 bilhões.

A sabotagem

De todos os pontos do país surgem protestos. O crédito agrícola é uma mentira. Os produtores que renegociaram suas dívidas _para pagá-las em sete anos, em sete prestações anuais_ agora não conseguem crédito "novo" para plantar neste ano. Como vão liquidar débitos?

Cara-de-pau

No começo da semana passada, o ministro Arlindo Porto anunciava alegremente que o Conselho Monetário Nacional, isto é, a equipe econômica, iria aprovar medidas para reduzir as exigências na concessão de crédito à chamada agricultura familiar. Houve a reunião do CMN no dia seguinte. Nada foi aprovado. Sabotagem. E prepotência.

Contra promessas do presidente.

Perguntinha

Afinal, quem governa o Brasil?



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