Revista Doçura , julho de 1980
Passa o tempo, a inflação continua: esta cada vez mais difícil fazer um pé-de-meia na capital
Já se sabe que o mercado de trabalho está cada vez mais fechado para a classe média, na capital. Para piorar, as despesas sobem assustadora¬mente: assim ninguém agüen¬ta economizar.
No interior, dá — Basta fazer as contas na ponta do lá¬pis. Por exemplo, 3 gastos típicos:
ALUGUEL. Sobradinho comum de 3 quartos, entrada lateral para carro, em bairro classe média não sofisticado, custa na capital de 20 a 25 mil.
No interior, as "melhores casas da cidade" podem ser alugadas a partir de 10 mil.
Diferença: 10 a 15 mil cruzeiros mensais (no caso de compra de casa própria, a diferença também existe).
ESCOLA. Uma escolinha "maternal" na capital dificilmente custa menos de 3 mil mensais; pode chegar aos 5 mil, até. Dois filhos são 6 mil mensais, no mínimo.
No interior, sai mil cruzeiros cada filho, no máximo. Dois filhos, 2 mil. Diferença: 4 mil em média.
EMPREGADA. Numa casa com crianças pequenas, dificil¬mente se passa sem duas empregadas na faixa de 5 a 6 mil — e já estão freqüentes os pedidos de 8 mil mensais, em alguns bairros. Significa, na capital, 10 a 12 mil mensais.
No interior, o salário da empregada doméstica está na faixa dos 3 mil, que multiplicado por 2 dá 6 mil.
Diferença: 4 a 6 mil.
Some as diferenças — Até aqui, os gastos na capital (aluguel, escola e empregadas) chegaram à faixa de 38 a 45 mil.
No interior, de 18 a 20 mil.
Diferença: 20 a 25 mil.
Some outros gastos — É preciso ver ainda que, no interior, o custo é mais baixo para tudo (exceção: comida).
Temos então médico entre 600 e 1.000 cruzeiros, enquanto na capital a consulta vai de 1.500 a 2.000 cruzeiros. E dentista, mecânico, empregados diaristas, escolinhas de natação, dança. Resumindo, pode-se ir para o interior até ganhando menos do que na capital.