Jornal Diário da Manhã , quarta-feira 23 de novembro de 1983
ALÍVIO GERAL – outra novidade que contribuirá para acelerar a normalização da economia mundial – reforçando o aumento das exportações brasileiras, em 1984: o Congresso norte-americano finalmente autorizou o governo dos EUA em fornecer mais US$ 8,4 bilhões no Fundo Monetário Internacional, como participação no aumento de capital da instituição. Com a decisão, que permitirá também que o FMI obtenha empréstimos de países como a Arábia Saudita, o Fundo passa a dispor de enorme massa de recursos para operações de “socorro”, como a montada para o Brasil, solicitadas por outras nações encalacradas com a dívida externa. Em setembro último, o FMI havia sido obrigado a suspender a aceitação de novos pedidos desse tipo, pois já não tinha recursos disponíveis para atendê-los.
EFEITOS EM CADEIA – como a melhora das finanças do FMI terá reflexos sobre a economia mundial? É simples: os países endividados e sem condições de atender a seus compromissos externos são forçados a cortar suas importações de forma desordenada, provocando violenta e também desordenada redução em seus planos de investimentos (por falta de bens importados) ou mesmo em sua produção industrial (por falta de matérias-primas ou componentes). O refinamento da dívida externa, conseguida com o apoio do FMI, aumenta a disponibilidade de dólares, permitindo cortes menos drásticos nas importações e nos investimentos.
NA FILA – um dos países que já estavam na fila de espera das “operações socorro” do FMI era exatamente a Nigéria, um dos principais mercados para as exportações brasileiras até que estourasse a crise da sua dívida externa, no final de 1981. PARA ESTOCAR – frangos, carne de porco (lombo, pernil), perus costumam subir de preços, com a aproximação do Natal. Pode-se antecipar suas compras, guardando-os no congelador de geladeiras comuns.
PARA FUGIR – com a inflação em queda, não vale a pena fazer compras de Natal pelo crediário, pois as taxas de juros cobradas chegam a superar os 300% ao ano e elas são calculadas no momento do contrato, continuando elevadas, portanto, durante todo o prazo de pagamento das prestações. Melhor utilizar cheques especiais ou cartões de crédito, cujas taxas costumam acompanhar a inflação, e devem cair, junto com ela, nos próximos meses.