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  Vocês vão nadar em petróleo?

Jornal Diário Popular , quinta-feira 23 de setembro de 1999


É, gente. A vida de presidente da República não é fácil, mesmo. Olhem só o que aconteceu com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Com a popularidade baixíssima, com o vergonhoso noticiário sobre o corte de cestas básicas para as regiões pobres, ele precisava desesperadamente de alguma notícia otimista para anunciar ao povo. Remexe daqui, remexe dali, seus assessores não encontravam nada, nadinha mesmo para dizer: afinal, o desemprego avança, até os supermercados vendem menos, a indústria desaba...

Foi aí que, no meio de uma reunião, surgiu a sugestão: "Eureca, gente, por que não acabamos com aquele segredo, do gigantesco campo de petróleo descoberto pela Petrobrás?" O desespero em Brasília é tão grande, que a proposta foi aceita, apesar de ser um imenso vexame para o presidente FHC. Por que vexame? É simples: o genro de FHC, o sr. David Zylbersztajn, é o presidente da Agência Nacional de Petróleo, encarregada de entregar as jazidas de petróleo brasileiro às multinacionais.

Vejam só o drama do presidente da República: ao anunciar o megacampo descoberto em pleno mar, na bacia de Santos (vizinha à bacia de Campos, e também situada no litoral do Rio), ele correria o risco de despertar suspeitas na opinião pública. Afinal de contas, nos leilões realizados há dois meses para "vender" áreas petrolíferas descobertas pela Petrobrás, o preço pedido pelo governo FHC, com o sr. Zylbersztajn à frente, foi de dar risada (para as multinacionais), ou chorar de raiva (para o povo brasileiro, literalmente roubado nos leilões). Foram tostões, isto é, de 50 mil a 150 mil (mil, mesmo) reais por áreas de milhares de quilômetros quadrados. Nada. De graça. Grátis. Free.

Então, era esse o perigo: a sociedade brasileira, a classe média, povão, empresários perceberem que as jazidas de petróleo doadas às multinacionais são tão fantásticas quanto o megacampo, de meio bilhão de barris, anunciado pelo presidente FHC. A revelação, assim, foi um vexame para FHC/Zylbersztajn. Resta ver, agora, se haverá alguma reação da sociedade brasileira, tão anestesiada pela grande imprensa, que anda bovinamente incapaz de reagir...

Qual seria a reação concreta, possível, imediatamente? Exigir que o governo faça uma grande campanha para venda de ações da Petrobrás aos trabalhadores, classe média, empresários brasileiros. Com isso, levantará dinheiro para acelerar a exploração das jazidas de petróleo já descobertas pela Petrobrás, e deverá suspender imediatamente a entrega dos campos fabulosos às multinacionais. A exploração renderá bilhões e bilhões de reais ao próprio Tesouro Nacional (maior acionista da empresa) e a todo o povo brasileiro. E renderá também bilhões e bilhões de dólares ao País, com exportações do petróleo, ao País. Será que FHC e Zylbersztajn concordam? É hora de exigir.



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