Jornal Diário Popular , segunda-feira 13 de setembro de 1999
O governo FHC já convocou a imprensa "amiga" para uma nova temporada de noticiário falsamente otimista, com notícias manipuladas sobre a recuperação da economia. Qual a realidade e quais os truques utilizados?
Desemprego — segundo o IBGE, em julho a taxa de desemprego ficou na faixa dos 7,0% nas principais regiões metropolitanas, e até recuou um pouco, na comparação com junho. A verdade, segundo o próprio IBGE: quando um trabalhador desempregado desiste de procurar emprego, ele é retirado das estatísticas. Foi o que aconteceu em julho.
Desemprego, ainda — a taxa de desemprego de 7% anunciada pelo IBGE, como se sabe, é três vezes menor do que o índice de 21% para várias regiões metropolitanas, apurado por órgãos como o Seade, do governo paulista, em conjunto com o Dieese. Como explicar a diferença? A principal delas: no caso do IBGE, se um trabalhador ou trabalhadora, desempregado há meses, realizaram um único "bico" remunerado (pintar o portão do vizinho, por exemplo) na semana da pesquisa, não são mais considerados como desempregados... Assim, as estatísticas de desemprego emagrecem...
Indústria — um dos truques muito usados pela imprensa e jornalistas chapa-rosa é escolher o resultado menos negativo, e esconder as estatísticas desfavoráveis. Por exemplo: na quarta-feira, o IBGE divulgou os resultados da produção da indústria em julho (mês em que, diziam os porta-vozes do governo, a economia "já estava em recuperação"). Houve manchetes dizendo que a queda em julho foi a menor dos últimos meses, com recuo de "apenas 0,6% sobre junho". Qual o truque? O correto é comparar com a produção industrial de igual mês, julho, de 1998 e, nesse caso, a queda é de nada menos de 5,3%. Com isso, a queda acumulada no ano também cresceu, para 3,5%.
E o PIB... — há poucos meses, o governo passou a prever que o PIB (valor dos bens e serviços produzidos em um ano), isto é, a economia, sofreria uma retração de apenas 1% este ano. Agora, apesar do agravamento da situação da indústria, tem a cara de pau de anunciar uma revisão, prevendo um resultado mais favorável...
Bolsas — o governo diz que o investidor estrangeiro voltou a confiar no Brasil. No mês de agosto, nada menos de US$ 630 milhões "fugiram" da Bolsa de Valores de São Paulo. Dólares — ao assinar o acordo com o FMI, no final de 1998, o governo FHC inventou a meta absolutamente mentirosa de obter um saldo positivo de US$ 11 bilhões na balança comercial (exportações menos importações). Objetivo? Dar a impressão de que obteria dólares para pagar os compromissos internacionais. Em março, essa meta foi revista para US$ 3,7 bilhões, outra grande mentira. Há dez dias, um diretor do Banco Central anunciava que a meta seria revista para US$ 2 bilhões a 2,5 bilhões. No dia seguinte — veja só a "seriedade" desse governo — o ministro Malan previa saldo positivo de US$ 1,5 bilhão. E ainda é mentira. Até agosto, a balança apresentava um rombo de US$ 800 milhões. E, tradicionalmente, no final do ano as importações crescem e as exportações caem. Mais rombo.