Jornal Diário da Manhã , sexta-feira 2 de dezembro de 1983
ONDE APLICAR – a queda na inflação e o acordo com o Fundo Monetário Internacional provocaram um redução nas operações especulativas no open, mercado negro do dólar e do ouro etc. Para a economia, essas mudanças – previstas há meses, nesta coluna – são ótimas, pois grande parte do dinheiro desviado para especulação será agora canalizado para operações financeiras normais, ampliando a oferta de crédito às empresas. Para o investidor, as mudanças provocam dúvidas: qual a melhor opção para aplicar dinheiro, nesse momento? O dólar no black não vai subir de novo? E o ouro, como fica? Não seria o caso de pensar em imóveis, neste momento?
BOM SENSO – há quem só goste de fazer aplicações garantidas, com lucros certo, como é o caso dos depósitos em caderneta de poupança, compra de títulos de renda fixa etc. Há quem goste de arriscar-se, isto é, tentar ganhar “um pouco mais”, nos mercados especulativos, como é o caso do dólar e do ouro. A virtude está na posição intermediária, destinar uma parcela do dinheiro às aplicações de “lucro certo”, e destinar outra parcela a operações especulativas, onde os lucros eventualmente podem ser maiores (é preciso, porém, que o investidor tenha consciência de que, se esses lucros não surgirem, foi um risco deliberado que ele decidiu correr).
O OURO E DÓLAR NO “BLACK” – eles estão “baratos” em relação aos preços altamente especulativos, meses atrás. Tradicionalmente, tudo que cai de mais, volta a subir, numa fase seguinte – que pode ocorrer dentro de semanas, ou meses. Quem quiser arriscar, portanto, pode tentar ganhar com o dólar e o ouro – baseado no comportamento tradicional do mercado, no passado.
IMÓVEIS – Quem tiver dinheiro disponível e não vai precisar dele, pode pensar no mercado de imóveis, cujos preços vêm subindo abaixo da inflação, este ano. Pela “lógica do mercado”, quando a situação da economia melhorar o valor dos imóveis deve subir rapidamente para compensar a sua diferença em relação à inflação, nos últimos meses. Mas é preciso poder esperar, repita-se.