Jornal Diário da Manhã , sábado 31 de dezembro de 1983
A TODO VAPOR – As vendas de Natal nos Estados Unidos apresentaram o melhor resultado dos últimos cinco anos, com avanço de 20% sobre 1982. Esse salto já era previsível: afinal o desemprego nos Estados Unidos caiu rapidamente a partir de agosto, com mais de meio milhão de desempregados retornando ao trabalho a cada mês. A expansão do mercado de trabalho não apenas aumenta, concretamente, a renda das famílias de trabalhadores, permitindo-lhes consumir mais. Há também um importante aspecto psicológico: os consumidores sentem maior segurança em relação ao futuro (ao contrário do que ocorre em fases de desemprego ascendente), e dispõem-se a comprar, ao lugar de poupar.
O MAIS IMPORTANTE – Para uma inflação anual de 2,4%, as taxas de juros nos Estados Unidos continuam na faixa dos 11%, ou 8,6% acima do índice inflacionário: uma diferença considerada absurda, porque tradicionalmente ela não ia além dos 3% a 4%. Para justificar esses níveis, os banqueiros alegam que os juros estão sendo pressionados pelo déficit do Tesouro, pois, como ocorre no Brasil, esse rombo é coberto com a venda de títulos do governo (equivalente à LTN e ORTN brasileiras) nos últimos meses esse déficit vem caindo: em novembro, ele foi de US$ 21,6 bilhões, ou 2,6 abaixo dos US$ 24,2 bilhões em igual mês de 1982. Assim, não será surpresa se as taxas de juros recuarem ligeiramente, nos Estados Unidos e no mercado internacional.
AS VANTAGENS – O menor déficit norte-americano é conseqüência da própria recuperação econômica, o que aumentou a arrecadação de impostos e reduziu gastos sociais como o auxílio-desemprego. Dentro dos Estados Unidos, a queda dos juros estimularia as empresas a investirem mais. Do ponto de vista mundial, um recuo, mesmo mínimo, ajudaria imensamente os países endividados: no caso do Brasil, menos 1% de juros representa uma economia de US$ 700 milhões de dólares em um ano.
A PISTA – Após ter subido de 10 para 11% há poucas semanas, a taxa de juros internacional (“libor”) recuou, neste final de semana, para 10,125%. Pode ser uma antecipação da queda dos juros nos Estados Unidos.