Jornal Diário Popular , dezembro de 1999
Responda você mesmo: não é na Amazônia, do Pará ao Acre, onde se concentra maciçamente as atividades do contrabando de minérios, madeira, narcotráfico em larga escala, envolvendo a necessidade de “lavagem de dinheiro”, reais e dólares, com a participação de bancos? E, mais ao Sul, não é em regiões de fronteira, como Foz do Iguaçu, no Paraná, ou cidades do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul que têm ocorrido igualmente escândalos assassinatos ligados ao tráfico, o contrabando, a remessa de dólares?
Já pensou bem? Então responda agora: o que você faria se fosse presidente do Banco Central, incumbido de fiscalizar os bancos, as remessas de dólares, as movimentações suspeitas de contas de clientes, que são exatamente o caminho para descobrir a “lavagem de dinheiro” e identificar os envolvidos na corrupção que se alastra pelo País? O que você faria, se quisesse que o Banco Central executasse realmente seu papel de combate ao crime organizado, não como mera atividade policial, que não é sua função, mas para defender a economia do País, sangrada com a remessas de dólares, o contrabando, a sonegação de impostos? Procuraria montar equipes de fiscalização nas diversas regiões, principalmente nas mais “suspeitas”, certo?
Para isso, contaria obviamente com o apoio do presidente da República e do ministro da Fazenda, já que a expansão da estrutura trariam imediatamente cifras muitas vezes maiores aos cofres do Tesouro, sob a forma de arrecadação de impostos, além de dólares hoje perdidos pelo País, certo? Pois é. Essa é a resposta lógica. Pois saiba então que a decisão do Armínio Fraga presidente do Banco Central, foi exatamente oposta. Você não acredita? Pois é pura realidade.
Com o apoio do presidente da República, o senhor Armínio Fraga decidiu “reduzir” a estrutura de fiscalização do banco, extinguindo, isto é, fechando as delegacias regionais do Paraná, em Curitiba (apenas de Foz do Iguaçu) e Belém, no Pará, e Salvador, na Bahia, mantendo apenas os setores de fiscalização de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Brasília e Belo Horizonte ficaria com a fiscalização de todo o Nordeste, e de toda a Amazônia.
Ou, mais exatamente, segurando o comunicado 006883 de 2 de agosto de 1999 do Banco Central, os fiscais de Belo Horizonte iriam cobrir os estados de território de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Amazonas, Amapá, Pará, Acre, Rondônia, Roraima, Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe e, ainda Espírito Santo. Uma festa para os contrabandistas, narcotraficantes e crime organizado em geral. Sinal verde para a criminalidade. Os funcionários do Banco Central se rebelaram contra essa monstruosidade. Por isso o governo está tentando desmoraliza-los, com a ajuda da imprensa.
Tem mais amanhã.