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  Dólar começa a cair numa tendência que deve se manter

Jornal Folha de S.Paulo , quarta-feira 27 de fevereiro de 1985


Após novas altas, ontem, na abertura dos mercados mundiais, as cotações do dólar em relação às moedas de outros países ricos entraram em queda, ontem. A tendência deverá confirmar-se nos próximos dias, pois ela foi reforçada por um depoimento do presidente do Banco Central dos EUA, Paul Volcker, perante o Subcomitê Bancário do Congresso norte-americano. Na mesma linha de raciocínio desenvolvida em análise publicada sábado último na Folha, Volcker advertiu que a recente escalada do dólar estava criando riscos, pois “o que sobe excessivamente deve cair, a partir de certo momento”.

Essa afirmação, por si só, seria suficiente para gerar intranqüilidade no mercado, já tomado de nervosismo ante a contínua ascensão do dólar. Mas Volcker foi mais longe: defendendo a necessidade de reduzir o déficit do Tesouro e o déficit da balança comercial, ele advertiu que o clima “psicológico” que tem favorecido a escalada do dólar pode, a qualquer momento, inverter-se, com os investidores “suspeitando” que a “corrida” foi longe demais – e comece um movimento inverso.

Na análise do presidente do Banco Central dos EUA, a alta do dólar se deveu também a fatores objetivos, como as altas taxas de juros reais (isto é, descontada a inflação), a estabilidade política e a recuperação da economia norte-americana. Tudo isso contribuiu para atrair capitais externos. No entanto – advertiu Volcker –, os déficits do Tesouro e da balança comercial são uma ameaça potencial: “Há um número de desdobramentos em marcha que contêm as sementes de sua própria destruição. Se você toma mais e mais empréstimos (para cobrir os déficits), chega a um ponto em que as pessoas são tomadas de suspeitas”, quanto às perspectivas do dólar. Com isso, acrescentou Volcker, os investidores passariam a exigir taxas de juros mais altas para continuarem aplicando em títulos norte-americanos, o que seria acompanhado possivelmente de rápido declínio do dólar, e pressão sobre o mercado interno de empréstimos, com novas altas nos juros, ameaçando a recuperação. Após essa análise, será difícil evitar a queda do dólar nos próximos dias. Poderá até haver altas temporárias. Mas será apenas uma “puxada” por parte dos investidores com grandes aplicações em dólares, tentando “segurar” as cotações da moeda norte-americana, para não sofrerem prejuízos.



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